Londrina (AE) – O Partido dos Trabalhadores utilizou o caixa 2 na campanha que reelegeu no ano passado o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti. É o que comprova a análise de documentos apreendidos nesta quarta-feira (3) pela Polícia Federal (PF) em 22 empresas de Londrina e Apucarana que prestaram serviços ao PT.

A existência do caixa 2 foi denunciada por Soraya Garcia ex-assessora financeira da campanha. Segundo ela, foram gastos R$ 6,5 milhões e contabilizado somente R 1,3 milhão. Parte dos recursos não contabilizados, informou Soraya, foram fornecidos pelo ministro do Planejamento Paulo Barnardo, pelo chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente do PT paranaense André Vargas. Os três negam.

"O caixa 2 está comprovado", afirmou o delegado Sandro Roberto Vianna dos Santos. Segundo ele, "reunimos provas materiais e testemunhais" que revelam a prática de crime eleitoral. No entanto, o delegado não especificou o volume de recursos não contabilizados que pôde ser comprovado. "Ainda é cedo, há muitos documentos para analisar", observou.

As apreensões se concentraram em postos de gasolina, gráficas e locadoras de veículos. De acordo com uma fonte que participou das operações, o envolvimento de Micheleti é "inquestionável". Pelo menos dois carros alugados durante a campanha foram utilizados por ele. O pagamento não foi contabilizado. O aluguel dos carros foi pago por empresas e uma delas – já investigada por participar de uma licitação em Londrina – é "fantasma". A fonte não revelou o nome das empresas.

A apreensão de documentos comprovou também a prestação de contas abaixo do valor real pago a duas locadoras. A uma delas, a campanha petista declarou ter pago R$ 6 mil quando, na realidade, foram R$ 60 mil. Outra sequer foi mencionada na prestação de contas mas recebeu R$ 14 mil.

O juiz Jurandyr Reis Junior, da 41ª Vara Eleitoral, indeferiu nesta quarta-feira pedido do PT para que as investigações fossem transferidas para a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal. Em seu despacho, Reis Junior alegou que as investigações são "urgentes" e precisam continuar sendo feitas pela Justiça londrinense para se evitar "dano irreparável".

Delegado – O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, Sandro Roberto Vianna dos Santos, foi afastado ontem do cargo. Seu afastamento foi publicado no "Diário Oficial da União". Segundo a superintendência estadual da PF, a saída dele havia sido decidida há pelo menos dois meses e não tem nada a ver com as investigações sobre o caixa 2 do PT.

Catorze entidades de classe londrinenses haviam solicitado a permanência de Santos, que vinha sofrendo um processo de desgaste devido aos rumores de que sua nomeação foi feita por indicação do deputado federal José Janene (PP-PR), um dos principais envolvidos no escândalo do "mensalão". Santos nega que Janene tenha influenciado sua nomeação. "Sou delegado de carreira", garante. A permanência de Santos chegou a ser pedida até ao ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). O ministro, segundo Hauly, garantiu que a saída de Santos não irá prejudicar as investigações do caixa 2 do PT de Londrina.