A Merrill Lynch está otimista em relação às perspectivas para o real, acreditando que a moeda brasileira pode se apreciar significativamente nos próximos três meses e atingir o nível de R$ 3,05 por dólar. Em relatório divulgado hoje (10), o chefe de estratégia global de câmbio da Merrill Lynch, Yianos Kontopoulos, diz que o anúncio do nome de quem vai comandar o Banco Central (BC) num “futuro próximo” tem, ao menos em princípio, potencial para reverter as preocupações que têm pesado sobre os ativos brasileiros.

Além disso, a expectativa de que haja uma alta expressiva dos juros básicos na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) também pode beneficiar o câmbio, afirma.

Kontopoulos diz que a demora do futuro governo em anunciar o nome do presidente do BC, num momento em que o foco do mercado passou a ser a inflação, afetou negativamente as expectativas. Com isso, a trajetória de apreciação do real foi interrompida. Segundo ele, como os índices de preços e as expectativas de inflação estão em alta desde agosto, é necessário que o mercado perceba esse movimento como um choque transitório, que vai ser adequadamente enfrentado pelo governo do PT.

O estrategista da Merrill Lynch afirma que, enquanto a atual direção do BC decidiu reagir, aumentando os juros desde outubro, não há garantias de que o futuro presidente da instituição adotará a mesma política. “E, em nossa visão, há mais a ser feito no front das taxas de juros para estabilizar as expectativas de inflação e também o câmbio.”

Para confirmar a trajetória favorável da moeda brasileira, Kontopoulos diz que o melhor cenário inclui a indicação, no curto prazo, de um comandante do BC com as credenciais adequadas e de um aumento adicional dos juros “abençoado” pela nova equipe.

O estrategista da Merrill Lynch entende que um aumento de dois a quatro pontos porcentuais da taxa Selic, hoje em 22% ao ano, seria suficiente. Uma alta numa tacada só seria o cenário preferível, na visão de Kontopoulos, mas ele acredita que o mais provável seja uma elevação em dois estágios, com um novo aumento em janeiro.

Kontopoulos aponta ainda duas fontes de pressão sobre o mercado de câmbio que diminuíram nas últimas semanas. Primeiro, houve uma redução na saída de capitais do País, como fica claro no desempenho das contas de não residentes, conhecidas como CC-5. Em outubro, saiu US$ 1,725 bilhão por essas contas; em novembro, apenas US$ 158 milhões. Ele menciona também a melhora da taxa de rolagem dos títulos cambiais nas últimas semanas como um fator positivo.

Para ele, se a moeda realmente se valorizar isso vai ocorrer ao longo dos próximos três meses. Se até o fim de fevereiro o câmbio pouco tiver caminhado nessa direção, é possível que a moeda americana atinja R$ 4 no ano que vem.