Brasília (AE) – O banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, disse hoje (23) ter a sensação de que seus inimigos estão construindo um cenário para induzir a Justiça a mandar prendê-lo. "Informações diversas, inclusive de um advogado que trabalha conosco, mais as declarações da senadora Ideli Salvatti e do ministro Edson Vidigal (presidente do Superior Tribunal de Justiça) apontam para isso", afirmou. "Existe um padrão e está se repetindo. O mandato de prisão preventiva seria motivado pela queixa de continuidade de prática de grampo, que nunca existiu."

Ao citar Ideli, Dantas se referia a declaração feita hoje (23) pela senadora. Ela levantou a suspeita de que o banqueiro foi quem revelou seu encontro com o empresário Edson Maurício Brockveld. Derrotado numa licitação nos Correios, Brockveld entregou à petista documentos que comprometeriam políticos tucanos – ela própria afirmou, porém, que a papelada era "pífia" e não provava nada.

Já Vidigal declarou recentemente que, ao tomar uma decisão favorável aos fundos de pensão, na briga com o dono do Opportunity, teria sido advertido de que viriam denúncias contra ele. O comentário foi feito em reação a reportagem, com base em grampos, denunciando decisões do presidente do STJ que teriam favorecido uma quadrilha do INSS e uma administradora de planos de saúde. Vidigal nega todas as acusações.

Telefonia

A acusação mais direta de ligação de Dantas com grampo ocorreu no caso Kroll. A Brasil Telecom, controlada pelo Opportunity, teria contratado a Kroll para investigar a Telecom Italia, mas altos funcionários do governo acabaram espionados. Dantas nega a arapongagem.

Antes de depor às CPIs dos Correios e do Mensalão -, Dantas havia dito que sua convocação não tinha sido política, mas comercial. Suspeitava que tinha sido chamado por causa das disputas pelo controle das operadoras de telefonia.

Na entrevista, Dantas também citou o procurador Luiz Francisco de Souza: "Tentou abrir ação pública contra o Citigroup, contra o Opportunity, mas a Justiça não acatou." Relatou, ainda, que Luiz Francisco "não nega que conhece o (Luiz Roberto) Demarco". Demarco é ex-sócio e inimigo de Dantas.