Está marcada para hoje (3) uma manifestação dos donos de bares e restaurantes contra o sistema de tíquetes-refeição. O protesto acontece durante a programação do 17º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que foi aberto oficialmente ontem à noite pelo ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, em Curitiba.

Por causa das taxas administrativas cobradas pelas empresas de refeição convênio, alguns restaurantes em Curitiba não aceitam mais os tíquetes-refeição. Segundo o presidente da Abrasel Paulo Solmucci Júnior, esse é o início de uma queda de braço envolvendo os restaurantes de todo o país e as grandes empresas do setor.

Ele afirmou também que as grandes empresas utilizam recursos do governo federal através do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) para alcançar lucros acima da atividade produtiva considerada aceitável. Estrangulados, os restaurantes perdem sua rentabilidade ou aumentam preços. Quem paga essa conta, segundo ele, é o consumidor que arca com o valor da refeição mais elevado.

"No final quem leva a maior vantagem com o PAT são as empresas de refeição convênio que estão utilizando recursos públicos e a nossa capacidade de trabalho para o lucro fácil", diz o presidente nacional da Abrasel.

Solmucci explica que as tarifas cobradas pelas três maiores empresas do setor variam entre 5,5% e 8% sobre o faturamento bruto, além de taxas como inscrição e cadastro. "Somando isso, chega-se a aproximadamente 10% sobre o faturamento das empresas, que têm de elevar o preço final da refeição vendida, tirando do bolso do consumidor a capacidade de compra."

De acordo com o presidente, um compromisso assinado em 2003 entre o governo federal, empresas de refeição convênio e a Abrasel, na gestão do então ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, estabeleceu que as taxas pagas não poderiam ultrapassar 3,5% sobre o faturamento. "Esse compromisso está sendo desrespeitado", diz Solmucci. "Estamos contando com a coragem de alguns restaurantes curitibanos para iniciar o movimento nacional para denunciar a situação", completa.

Segundo o presidente da Abrasel, essa denúncia já havia sido levada ao ex-ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, e deve ser novamente encaminhada ao atual ministro, Luiz Marinho.