Brasília – Os donos de casas lotéricas têm criticado o novo sistema desenvolvido pela Caixa Econômica Federal, previsto para começar a operar na próxima segunda-feira (14) em todo o país. A troca do sistema foi iniciada em fevereiro deste ano e, desde então, cerca de 21 mil máquinas já foram instaladas. Com a implantação do modelo lotérico, a empresa estatal passa a ter o controle do negócio no país.

?O resultado que o sistema apresenta não é a realidade que as casas lotéricas operam durante todo um dia de trabalho. Sempre tem uma diferença ou para mais ou para menos?, disse o presidente do Sindicato Empresas Lotéricas do Distrito Federal, Roger Denac.

De acordo com ele, outro problema é a lentidão no processamento de dados do sistema da CEF, que provocou uma queda de 40% no movimento nas casas lotéricas da região. ?Com o baixo rendimento, muitas lotéricas passaram a demitir funcionários?, revela.

Denac disse que a receita de uma casa de loteria é dividida entre os jogos e a prestação de serviços bancários. No entanto, com a dificuldade em administrar os serviços, as lotéricas enfrentam grande concorrência com bancos, correios e até supermercados.

?As pessoas estão migrando para outra rede. Isso acontece porque o usuário da casa lotérica chega e se depara com uma fila enorme. Então, ele nem entra para apostar e nem para pagar as contas?.

Em nota divulgada ontem (10) a Caixa Econômica Federal informou que  ?eventuais perdas causadas no período de troca das máquinas serão ressarcidas pela Caixa?. Além disso, a Caixa informa que os eventuais transtornos causados aos lotéricos e à população nesse processo serão revertidos em benefícios maiores a todos.

"Para a Caixa, que passa a ser dona, com controle total do negócio lotérico; para a população que terá melhoria no atendimento com máquinas mais modernas, ágeis e seguras; e para os próprios empresários lotéricos, que terão possibilidade de aumentar seu faturamento com melhores serviços, sem qualquer ônus para implementação do novo sistema?.

Segundo o presidente do sindicato, os donos de lotéricas no Rio de Janeiro pretendem iniciar uma paralisação, caso não haja mudanças no novo sistema. Já os empresários de Brasília preferiram aguardar o prazo para que a Caixa Econômica passe a operar exclusivamente no país. Anteriormente, os equipamentos das lotéricas eram administrados pela multinacional Gtech.

Com o envolvimento da Gtech em crimes como improbidade administrativa, corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o procedimento licitatório, a empresa foi levada à CPI dos Bingos. A partir daí, a possibilidade de renovação do contrato da multinacional com a Caixa foi vetada em 14 de maio de 2006.