O Supremo Tribunal Federal (STF) já recebeu os autos do inquérito do dossiê Vedoin, com seus 21 volumes e mais de 1.400 páginas, e vai pedir parecer da Procuradoria-Geral da República para decidir se acata ou arquiva a denúncia contra o senador Aloízio Mercadante (PT-SP) e mais seis acusados de envolvimento na trama. A decisão, porém, só será tomada após o recesso da Justiça, que Termina em 6 de janeiro.

Mercadante declarou hoje que não aceita "o papel de bode expiatório" e decidiu contratar advogado para se defender "com unhas e dentes" do que considera uma injustiça. Ele disse que vai explorar supostas inconsistências do relatório da Polícia Federal, entregue na semana passada à Justiça, o qual reputou em nota como desonesto, leviano e irresponsável. "A PF preferiu fazer cortina de fumaça para encobrir o fracasso de suas investigações", criticou.

A principal falha do relatório, a seu ver, é inverter o ônus da prova e transferir para os acusados a missão de provar a denúncia. Ele se referia ao trecho em que o delegado Diógenes Curado, encarregado do caso, assinala que "cabe a eles (acusados) a responsabilidade para que os pontos obscuros fiquem totalmente esclarecidos."

A inversão, para o senador, mostra que a PF não conseguiu chegar à origem do dinheiro da compra do dossiê e fracassou no seu dever de levantar provas contra os responsáveis pela trama. "A conclusão (do relatório) não encontra fundamento na investigação mas sim numa ilação irresponsável e insustentável do inquérito" atacou.

A tendência do Ministério Público, porém, é pela transferência do inquérito ou abertura de um novo no âmbito do STF por causa do foro privilegiado do senador. Isso porque, apesar da fragilidade das provas, o inquérito avançou no essencial, na avaliação de membros do Ministério Público. Além disso, por iniciativa do procurador-geral, Antônio Fernando de Souza, já existem na corte 81 inquéritos contra parlamentares acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas.