Há pelo menos dez anos gaúchos e catarinenses esperam a duplicação da BR-101, prometidas por muitos políticos, mas até hoje não concretizada. Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em duas cerimônias o lançamento da ordem de serviço para início das obras de duplicação da estrada entre Osório (RS) e Palhoça (SC) e anunciou a liberação de R$ 500 milhões dos R$ 2,4 bilhões previstos para gastos até 2007, quando se espera que os 348 quilômetros estejam prontos.

Durante discurso, Lula determinou ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que anunciasse, de público, o seu telefone, para que as pessoas pudessem denunciar caso as obras fossem paralisadas. "Nós estamos aqui avisando para vocês que essas máquinas vão ter de funcionar. O ministro Alfredo vai ter de dizer de público o telefone dele porque eu já estou cansado de ver, no Brasil, inauguração de obra que o povo vai embora e as máquinas vão embora e não começam a trabalhar. Nós vamos ter de fazer as máquinas trabalharem porque precisamos da estrada, de gerar emprego e de gerar desenvolvimento", avisou o presidente. Apesar do recado, o ministro não anunciou, até o fim da cerimônia, o seu telefone para denúncias, como determinou o presidente.

A rotina de descumprimento de promessas em relação às obras de duplicação da BR-101 sul não é de hoje. O ex-ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, em junho de 1997, afirmou: "todas as duplicações previstas para a BR-101 estarão concluídas em junho do ano 2000". Seis meses depois, em fevereiro de 98, assegurou que: "até meados do ano 2000 a estrada estará duplicada". O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em abril de 2000, afirmou: "posso garantir que até o final deste ano a obra estará concluída, desde São Paulo, até Osório, no Rio Grande do Sul".

No governo Lula também foram feitas promessas. O ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto, em janeiro de 2003, declarou: "espero que a duplicação tenha início ainda em 2003, no segundo semestre". Um mês depois, em fevereiro de 2003, o gerente do corredor do Mercosul, órgão do Ministério dos Transportes, Carlos Alberto La Selva, disse: "o processo está em fase final. Tenho certeza de que a obra começa neste ano".

Hoje, em seu discurso em Torres, Lula criticou, sem citar nomes, seu antecessor, ao assegurar que não prometeu fazer a estrada e está fazendo: "Muita já se prometeu fazer esta estrada. Eu não quero saber quem prometeu. Sei que muitos já prometeram. Mas eu nunca prometi porque não prometo aquilo que eu não conheço e não prometo aquilo que não sei se posso fazer ou não. Entretanto todos nós temos consciência de que essa BR é uma alavanca extraordinária para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e nossa integração com os países da América do Sul e sobretudo para não ver gente morta por acidente ou atropelamento", disse.

Em seguida, Lula comemorou: "Finalmente esta obra vai acontecer. Queremos fazê-la no menor tempo possível. Mas, como ela é uma estrada difícil, talvez demore três anos e, talvez não dê para fazê-la até o final do meu mandato. Mas, independente de eu estar aonde Deus quiser que eu esteja, eu quero ser convidado para a inauguração da BR 101".

Na oportunidade, Lula aproveitou para fazer novas promessas. Ele disse que, depois de anunciar a 101 Sul, "vamos também, no começo do ano que vem (2005), anunciar a 101 Nordeste. Vamos também duplicar a 101 Nordeste, pegando o Rio Grande do Norte, a Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Bahia", prometeu.