As principais organizações defensoras do meio ambiente que atuam no Brasil comemoraram a indicação da senadora Marina Silva (PT-AC) para comandar o Ministério do Meio Ambiente, anunciada nesta tarde pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.

“A senadora Marina sempre defendeu a Amazônia e o uso sustentando da floresta”, destacou hoje o diretor-executivo da Greenpeace no Brasil, Frank Gugenheim. “A colaboração dela será muito positiva porque ela é extremamente competente e tem um engajamento histórico na questão.”

Para os ativistas, o fato de Marina ter sido o primeiro nome oficial confirmado por Lula sinaliza que o futuro governo priorizará o setor. “Quando Lula venceu, pedimos que a questão ambiental deixasse de ser periférica para ser estratégica”, contou João Paulo Capobianco, diretor do Instituto Sócio-Ambiental. “A tradição de o ministro do Meio Ambiente ser um dos últimos a ser conhecido foi quebrada e agora podemos pleitear uma nova inserção no governo”, disse.

A SOS Atlântica também recebeu a notícia com entusiasmo e prepara ato em homenagem à futura ministra para o dia 12. “O simbolismo da indicação de uma ex-seringueira que viveu tão próxima de Chico Mendes resgata a esperança dos ambientalistas”, disse o diretor de Relações Institucionais da organização, Mário Mantovani.

Estrutura

O diretor da Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, foi mais cauteloso ao comentar suas expectativas para o próximo ano. Segundo ele, não adianta indicar um craque como a senadora Marina sem olhar para as condições estruturais do Ministério, que está sem orçamento e recursos adequados. “É como mandar o fenômeno Ronaldo para jogar no time do Barueri sendo que o time não está preparado para fornecer os instrumentos que ele precisa”, comparou Smeraldi. “O futuro governo terá de dar atenção especial a esses aspectos também para colocar o meio ambiente à altura do currículo da Marina”, opinou.