A China cresceu 10,5% em 2006, de acordo com uma estimativa divulgada ontem (12) pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) do país. ?Segundo cálculos preliminares, o Produto Interno Bruto (PIB) superou os 20 trilhões de yuans (US$ 2,6 trilhões)?, informou o órgão ministerial, em sua página na internet.

Se confirmado, o número mostra que as ações do governo chinês para desacelerar a expansão funcionaram. No segundo trimestre, o PIB cresceu a uma taxa anualizada de 11,3%, o nível mais alto em uma década. De julho a setembro, a taxa já havia caído para 10 4%. As medidas incluíram restrições à concessão de empréstimos pelo sistema bancário.

O relatório do governo chinês não trouxe nenhuma previsão sobre o crescimento em 2007. Mas, em dezembro, uma autoridade do banco central afirmou que a economia deverá se expandir perto de 10%.

O presidente da CNDR, Ma Kai, disse que a China tem desafios à frente para gerenciar um crescimento tão rápido, apesar dos controles impostos pelo governo. ?Há contradições e problemas?, afirmou. ?A estrutura econômica é irracional e bruta.? Pequim está tentando reduzir a dependência das exportações e do investimento para nortear o crescimento. Autoridades tentam, ainda sem sucesso, elevar o consumo doméstico.

O governo tem adotado medidas para frear o investimento no setor imobiliário e em setores da indústria, como têxtil e automóveis. Nesses segmentos, o fornecimento às fábricas e outros ativos excede a demanda. O temor do governo é que o excesso de investimento poderia elevar os preços e deixar bancos perigosamente expostos ao risco de crédito.

O banco central chinês elevou as taxas de juros duas vezes no ano passado, apertou o crédito bancário em quatro ocasiões e impôs cortes a financiamentos de vários setores. ?O fundamento da desaceleração do investimento e do crédito ainda não é suficientemente sólido e o problema de nosso desequilíbrio de pagamentos internacionais piora?, observou Ma Kai.

O superávit em conta corrente chinês está próximo de 10% do PIB, o que alimenta as críticas dos Estados Unidos em relação a uma taxa de câmbio que estaria artificialmente desvalorizada. Ma Kai disse que o país continuará refinando em 2007 seus mecanismos para manter a economia com fundamentos sólidos.