O Tesouro Nacional estima que a economia com as despesas de juros decorrente da compra dos bradies é de US$ 345 milhões a valor presente líquido. O valor nominal supera US$ 600 milhões e o Tesouro divulgará, ainda hoje a soma exata. Ao anunciar, há pouco, a decisão de exercer o direito de compra antecipada dos títulos, cujo vencimento é 15 de abril, o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, disse que o Brasil tomou essa decisão porque os juros estão menores do que os previstos pelos papéis. A recompra envolve US$ 6,64 bilhões, mas o gasto líquido do Tesouro será de cerca de US$ 5 bilhões, já que a operação libera US$ 1,5 bilhão das garantias.

O Tesouro informou que a recompra suaviza o perfil de vencimentos entre 2007 e 2011, mas ainda detalhará o impacto da decisão. Levy estima que a recompra dos bradies reduzirá o risco Brasil em 10 pontos-base, por razões estruturais. Os bradies têm pouca liquidez no mercado e precificação desvantajosa o que, de acordo com o secretário, o penalizava o risco Brasil. "Se limparmos isso, o risco Brasil cai por razões estruturais", disse. O secretário ponderou ainda que os títulos da dívida externa, na ponta longa, estão sendo negociados em condições favoráveis. Têm hoje uma situação melhor do que os papéis da Turquia e estão apenas entre 50 a 60 pontos-base acima dos títulos do México que é um país com classificação de investment grade.

Ao justificar a decisão da recompra, Levy citou dois fatores. De um lado, o bom desempenho externo brasileiro que permitiu ao BC ampliar as reservas internacionais que estão sendo utilizadas, em parte, nesta operação. De outro lado, a recompra na esteira do trabalho de consolidação fiscal do País. "Tem países que estão bem nas exportações, mas não conseguem ir para a frente porque não têm um trabalho estruturado ", disse.