Comércio vai esperar pelo
consumidor no fim do ano.

A economia do Paraná vai ganhar um reforço no final do ano: a injeção de R$ 2,550 bilhões, relativos ao pagamento do 13.º salário aos trabalhadores formais (com carteira assinada) e informais. Desse montante, estima-se que cerca de 30% tenha sido antecipado, por determinação de acordos coletivos ou em ocasião de férias. A grande parte dos recursos (R$ 1,8 bilhão), porém, deve chegar às mãos dos trabalhadores dividida em duas parcelas: uma até o próximo dia 30 e outra até 20 de dezembro. A previsão é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que divulgou ontem dados nacionais e regionais.

No Paraná, a estimativa é que quase 4,2 milhões pessoas recebam o “abono de Natal”. Desses, 75,8% fazem parte do mercado formal e são divididos entre trabalhadores do mercado formal (43,5%), beneficiários do INSS (30,2%) e empregados domésticos com carteira (2,1%). Na economia informal, incluem-se empregados sem carteira assinada (17,2%), empregados domésticos sem carteira assinada (6,9%) e taxistas (0,1%). O salário médio do setor formal é estimado em R$ 673,73 e do informal, de R$ 401,48. A média é de R$ 608,12.

Precaução

O economista Cid Cordeiro, do Dieese-PR, alertou quanto ao uso do 13.º salário. “As pessoas devem usar este dinheiro com precaução, planejando o orçamento”, orientou. “Assim como existe uma renda extra em dezembro, há despesas extras em janeiro e fevereiro também”, acrescentou, referindo-se a gastos típicos de início de ano, como matrícula escolar, compra de material escolar, além de impostos como IPTU e IPVA. O economista recomendou ainda às pessoas com dívidas para que façam o resgate com parte do 13.º salário e procurem linhas de créditos com juros menores. “É o momento de fazer trocas de dívidas, de pesquisar as taxas de juros”, orientou.

Segundo ele, maior parte do salário extra do final de ano (cerca de 50% a 60%) vai para o consumo. Outra parte é dividida entre poupança, pagamento de dívidas e reserva para o início do ano.

No Paraná, o salário médio do mercado formal é de R$ 673,73 – o 12.º entre os 27 estados brasileiros. Os salários mais altos estão em Brasília (R$ 1.607,00), em São Paulo (R$ 989,00) e no Rio de Janeiro (R$ 907,00). Já os menores salários são verificados no Piauí (R$ 425,00), Maranhão (R$ 438,00) e Paraíba (R$ 447,00). Para Cid Cordeiro, a posição do Paraná no ranking salarial é bastante ruim. “É o reflexo da própria estrutura econômica. Os setores industriais com maior nível de emprego são o têxtil e vestuário, alimentos e madeira e mobiliário, que pagam salário médio baixo”, apontou.

Sobre as expectativas de vendas para o Natal, Cordeiro acredita que os valores não devem ser altos. “Com este nível salarial, não se pode esperar um Natal com presentes caros”, afirmou. Segundo ele, o preço dos presentes é determinado pelo acesso ao crédito e a confiança do consumidor. “Esses dois fatores determinam mais o preço do presente de Natal do que o próprio valor do 13.º”, comentou. Apesar disso, a expectativa é que as vendas natalinas este ano cresçam 10% sobre o ano passado. Em 2003, o crescimento já havia sido de 7%, enquanto nos dois anos anteriores – 2001 e 2002 – as vendas registraram queda de 3,9% e 3%, respectivamente.

10,7% a mais

Apesar do salário médio baixo no Paraná, a injeção do 13.º este ano é 10,7% maior do que o pago no ano passado, quando os salários somaram cerca de R$ 2,3 bilhões. O incremento é atribuído ao aumento do nível de emprego e reajustes salariais. O aumento do salário mínimo – balizador do benefício do INSS -também contribuiu para o aumento.

Em todo País, serão R$ 40 bilhões

O pagamento do 13.º salário aos trabalhadores da economia formal e aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) deverá incrementar em R$ 40,2 bilhões a economia brasileira neste ano. O salário extra vai beneficiar 53,7 milhões de pessoas, entre aposentados e trabalhadores da ativa com registro em carteira.

Cerca de 25% do valor total, o equivalente a R$ 10,16 bilhões, será pago para 22,8 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. Outros R$ 29,5 bilhões serão pagos para 29,3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Os empregados domésticos com registro em carteira, cerca de 1,61 milhão de pessoas, devem receber R$ 543 milhões em 13.º salário. A maior parte dos recursos será paga em duas parcelas: no final deste mês e até o dia 20 de dezembro.

O cálculo do Dieese em nível nacional não considera os autônomos e assalariados sem carteira que podem vir a receber algum tipo de abono natalino. Foram usados dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), da Pnad (Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios), do Ministério da Previdência e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, no estudo.

Comércio abre 2.731 vagas em setembro

O Paraná encerrou o mês de setembro com o saldo positivo de 2.731 vagas no comércio, crescimento de 0,70% no nível de emprego. A maior parte das vagas (63,57%) surgiu no interior do Estado. No acumulado do ano (janeiro a setembro), houve crescimento de 7,31% no nível de emprego e saldo 26.861 empregos gerados. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).

O número estimado de trabalhadores com carteira assinada no comércio do Paraná é de 394.349, representando 7,30% do contingente total do comércio em nível de Brasil (5,4 milhões).

Nos primeiros nove meses, os segmentos que apresentaram maiores variações no nível de emprego foram, no Comércio Atacadista, máquinas, aparelhos e equipamentos para uso agropecuário (27,98%), intermediários do comércio (15,65%) e produtos intermediários não agropecuários (11,29%). No Comércio Varejista, os destaques foram as lojas não especializadas (130%), lojas especializadas em produtos novos (8,24%) e varejo de produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,61%). Já na categoria venda, manutenção e reparação de veículos automotores, vale destacar o desempenho das vendas, manutenção e reparação de motocicletas (11,97%), venda a varejo e por atacado de automóveis, ônibus e caminhotes (11,05%) e a venda no varejo e por atacado de peças e acessórios para veículos (9,65%).

Vendas

Em relação às vendas no varejo, houve queda de 4,71% no volume comercializado em agosto. De janeiro a agosto, no entanto, as vendas acumulam crescimento de 11,52% no volume e 13,11% no valor. O setor que obteve melhor desempenho no ano foi móveis e eletrodomésticos, com crescimento de 30,60% sobre o mesmo período do ano passado, seguido por tecidos, vestuário e calçados (12,60%) e hiper e supermercados (10,35%). O pior desempenho no ano ficou com combustíveis e lubrificantes (5,24%).