Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Para Daniel Pimentel Slaviero (dir.), transição não é uma questão de vaidade, mas de sobrevivência.

As emissoras de rádio estão preparadas para iniciar a transmissão digital entre março e maio do próximo ano, nas capitais brasileiras. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero. Mas, para isso, é necessário que o governo escolha até o fim do ano o padrão tecnológico que será adotado no Brasil. No entanto, ainda não há uma previsão do Ministério das Comunicações sobre a data em que será editado o decreto com a definição do sistema.

Para a TV, já está decidido que o padrão é o japonês e a inauguração das transmissões digitais na televisão será em São Paulo, no fim de 2007. Para o rádio, a preferência das emissoras é pelo sistema americano In-Band On-Channel (I-BOC). Elas argumentam que este é o único padrão que permite transmissão simultânea das ondas de rádio analógicas e digitais. Isso possibilitaria a convivência, por tempo indeterminado, dos atuais aparelhos com novos rádios digitais.

Em reunião ontem com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, representantes do setor apresentaram suas reivindicações. Eles querem que o padrão a ser escolhido opere em AM e FM, mantenha a mesma faixa e freqüência ocupadas atualmente pelas emissoras e preserve a estrutura atual das concessões, sem a necessidade de distribuição de outros canais. ?O rádio precisa fazer a transição do sistema analógico para o digital. Não é uma questão de vaidade, mas de sobrevivência?, disse Slaviero após o encontro.

A digitalização da transmissão, na avaliação dele, vai impulsionar a indústria no Brasil e gerar mais empregos, já que existem no país 200 milhões de rádios, entre aparelhos portáteis fixos e instalados em carros, por exemplo. Também haverá necessidade de troca nas antenas e transmissores das cerca de 4 mil rádios comerciais e educativas de emissoras, que demandará investimentos de US$ 100 milhões até 2008.

O principal ganho com o rádio digital será a melhoria na qualidade do som. A rádio AM ficará parecida com a FM, mas manterá o longo alcance, e a rádio FM terá um som igual ao de um CD. Outra vantagem é que o aparelho poderá ser usado para transmitir dados. Enquanto escuta uma música, o ouvinte pode ler no painel do rádio o título da canção e o nome do cantor e do compositor, por exemplo. Também pode ter informações de tempo e temperatura, ou das condições no trânsito, que são emitidas na forma de texto, lidas também no painel do aparelho.

Slaviero disse que a digitalização será essencial para as rádios AM, que estão ?inviabilizadas? pela má qualidade da transmissão. Hoje, 15 emissoras estão fazendo testes com o sistema americano e duas emissoras estão testando o sistema europeu Digital Radio Mondiale (DRM). Existem também os sistemas japonês e coreano. ?Atualmente, o único padrão que preenche todos os requisitos é o padrão americano?, argumenta Slaviero.