A prioridade da Abertis no Brasil são os investimentos já assumidos, enquanto para os novos projetos os mercados prioritários no continente americano são os Estados Unidos e México, informou o presidente do grupo, Francisco Reynés. Ele salientou, no entanto, que isso não quer dizer que novos projetos de rodovias no País não serão analisados. “A Arteris é uma companhia aberta e somos um dos acionistas, Não podemos reduzir as oportunidades para a Arteris, mas tem que ser uma boa oportunidade para a comunidade e para os acionistas”, disse o presidente do grupo controlador da Arteris.

Por sua vez, o presidente da Arteris, David Díaz, afirmou que a companhia analisa as quatro rodovias que o governo federal pretende leiloar ainda este ano, embora ainda não exista decisão sobre participar das disputas. “É cedo para dizer, estamos estudando os volumes de investimentos e o tráfego das rodovias para analisar a rentabilidade dos projetos”, disse.

A companhia apresentou proposta pela BR-050, leiloada no mês passado. Díaz explicou que o interesse da Arteris neste ativo se dava tanto pelo valor do investimento exigido na concessão, considerado baixo, como pela proximidade da rodovia com outras concessões da companhia. Os próximos projetos a serem leiloados, explicou, ou são mais perto, mas exigem volumes maiores de investimento, ou estão mais distantes das atuais áreas de atuação.

Díaz também reforçou o comprometimento da companhia com os investimentos assumidos. A companhia tem plano de obras orçado em cerca de R$ 7 bilhões nas nove concessionárias do grupo, entre concessões federais e estaduais. Desse total, R$ 1,3 bilhão está previsto para este ano. Dentre as obras, destacou a duplicação da Régis Bittencourt no trecho da Serra do Cafezal, as obras do Contorno de Florianópolis e o Contorno de Campos (RJ). “Essas obras permitirão a melhoria dos serviços e o desenvolvimento econômico das regiões”, comentou.

As concessionárias hoje pertencentes à Arteris foram muito criticadas por agentes do setor, porque diversas das obras previstas nos contratos de concessão descumpriram os prazos estabelecidos. As empresas chegaram a ser notificadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e assinaram termos de ajustamento de conduta com a agência, com um plano de ação com novos prazos.

Conforme Díaz, o novo cronograma acertado com a ANTT é mais “coerente” com os atuais planos executivos das obras e andamento do licenciamento ambiental, e indicou que no novo cronograma há tanto obras que foram antecipadas como outras postergadas. Ele frisou que algumas tiveram grandes mudanças no projeto, como a duplicação da Régis Bittencourt no trecho da Serra do Cafezal, para o qual foram incorporados túneis. A companhia ainda negocia com a ANTT o reequilíbrio econômico-financeiro da concessão, tendo em vista o novo projeto, acrescentou Díaz, o que deve ser feito por meio de aumento da tarifa.