A indústria de máquinas e equipamentos espera expansão de 15% a 18% no faturamento de 2010 ante 2009, mas esse crescimento não vai recuperar as perdas do ano passado. “Para isso, teríamos de crescer ao menos 25%”, afirmou Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em 2009, a receita do setor caiu 18%, para R$ 64,05 bilhões, resultado pressionado pela forte queda das exportações, que costumam representar 30% da receita do setor. Esse fator, previu o executivo, deve continuar a prejudicar a indústria de máquinas e equipamentos. No ano passado, as vendas externas baixaram 40,5%, para US$ 7,64 bilhões. As importações caíram menos: 14,3%, para US$ 18,79 bilhões.

Apontados como vilões do setor, o dólar desvalorizado e a carga tributária são responsáveis por uma perda de 40% a 50% da competitividade da indústria brasileira, nas contas de Aubert Neto. Mais uma vez ele criticou a baixa carga tributária sobre as importações, que junto com o câmbio fez o saldo negativo da balança comercial do setor apresentar um crescimento de 22,8% em 2009, para US$ 11,15 bilhões.

Os Estados Unidos, principal comprador do Brasil, importou 55,5% menos máquinas e equipamentos brasileiros em 2009. “Parte dessa queda foi a crise, parte foi perda de mercado causada pelo câmbio”, exemplificou o executivo.

Aubert Neto também voltou a criticar a Medida Provisória 472, de 15 de dezembro do ano passado, que cria o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (Repenec). O programa prevê a isenção do imposto de importação na compra de máquinas, equipamentos e materiais de construção naquelas regiões. No Norte e Nordeste estão alguns dos principais projetos da Petrobras, principal cliente do setor de óleo e gás no Brasil.

Em janeiro último, a Abimaq pediu a inclusão no texto da MP de uma ressalva, limitando a isenção do imposto de importação a equipamentos sem produção nacional. “Com esse tipo de medida, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) está dando resultado para a China”, criticou. Segundo ele, a Companhia Docas de Sergipe (Codesa) estaria comprando equipamentos chineses, mais baratos que os similares brasileiros.