Com um acordo que prevê estabilidade de três meses aos funcionários, e indenizações entre dois e três salários-base aos 826 trabalhadores demitidos, os metalúrgicos da Bosch encerraram, ontem, a paralisação iniciada na última segunda-feira.

O acordo, proposto na audiência de anteontem no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), foi aprovado ontem pela manhã em assembleia que reuniu cerca de 1,5 mil trabalhadores, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC).

Agora, a ação de dissídio coletivo, ingressada pelo SMC na Justiça do Trabalho, também deve ser encerrada. Hoje, em nova audiência marcada no TRT-PR, as partes devem comunicar a realização do acordo, que deve ser homologado pelo juiz – quem está conduzindo o processo é o vice-presidente do TRT-PR, desembargador Luiz Eduardo Gunther -, para encerramento do dissídio coletivo. A mediação, que vinha ocorrendo paralelamente no Ministério Público do Trabalho, já foi arquivada, a pedido das partes.

Pelo acordo fechado ontem, a Bosch se comprometeu a manter os empregos atuais – a unidade da empresa em Curitiba tem, hoje, cerca de 3 mil funcionários -, não realizando dispensas imotivadas, por 90 dias, contados já a partir de ontem. Segundo a companhia, a garantia está vinculada à instituição de banco de horas como mecanismo de flexibilização do trabalho.

Conforme o sindicato, a Bosch também prometeu rever as demissões irregulares de trabalhadores vítimas de doença ocupacional, ou em vias de se aposentar. As indenizações propostas pela empresa aos trabalhadores demitidos também foram revistas: serão de dois salários-base para quem tinha até 15 anos de empresa; 2,5 para quem tinha até 20 anos e três para os que tinham mais de 20 anos de registro.

Em comunicado à imprensa, a Bosch mostrou otimismo em relação aos reflexos do acordo: “A empresa acredita que, ajustada à demanda atual de mercado, tem agora condições de retomar a fase de desenvolvimento dos seus negócios e continuar a contribuir para a região”, informou a empresa.