São Paulo

– O governo deve insistir em um programa que beneficie principalmente os carros populares nas discussões para um novo acordo de longo prazo com o setor automobilístico. Segundo fontes ligadas às negociações, o segmento, responsável por mais de 60% das vendas de veículos no País, tem capacidade de criar mais empregos na produção por causa da demanda maior, além de mais arrecadação tributária, condições que o governo impõe para discutir benefícios com o setor.

Durante a vigência da redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 3 pontos porcentuais, entre agosto de 2003 e fevereiro deste ano, as vendas de carros populares (com motor 1.0) cresceram 25% ante os sete meses anteriores, totalizando 459.914 unidades. Já os modelos maiores (com motor até 2.0), também beneficiados, apresentaram melhora de 6,8%, para 248.566 unidades, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou disposição em discutir um novo acordo automotivo, nos moldes daquele adotado em 1992, quando governos federal, estaduais e municipais reduziram impostos. As empresas abriram mão de parte dos lucros, as vendas aumentaram e empregos foram preservados.