Foto: Arquivo/SECS

Abate de animais nas fazendas ?contaminadas?: de triste memória.

Desde o início de outubro passado, quando o Mato Grosso do Sul confirmou o primeiro foco de febre aftosa – passando pelas suspeitas no Paraná e a confirmação em seguida -, o Estado deixou de exportar aproximadamente US$ 242 milhões, ou seja, R$ 530 milhões. Desse montante, 55% refere-se à carne suína, 25% à carne bovina e 20% à carne avícola. O levantamento é do Sindicato da Indústria de Carnes no Paraná (Sindicarne-PR), que prevê a retomada das exportações apenas no início de 2007.

De acordo com o assessor econômico do Sindicarne-PR, Gustavo Fanaya, ?numa visão extremamente otimista?, o governo federal encaminharia já no mês que vem – seis meses depois que o último animal suspeito foi sacrificado no Estado – um dossiê completo à OIE (Organização Internacional de Sanidade Animal) sobre o caso da doença no Paraná e a sua extinção. Supondo que o documento chegasse até a OIE às vésperas da reunião do comitê técnico da entidade – que acontece apenas uma vez por mês – e que fosse tudo aprovado, o Paraná já poderia retomar as exportações. ?Mas isso é impossível?, ponderou Fanaya.

Segundo ele, numa visão mais realista, o Paraná só deve retomar as exportações na virada do ano. ?Se até janeiro de 2007 não estiver tudo normalizado, ou houve muita incompetência nossa ou má vontade deles?, apontou, referindo-se aos técnicos da OIE. A demora, segundo ele, pode ocorrer por diversos fatores: o primeiro deles é o surgimento de novo foco no Mato Grosso do Sul, em abril. ?Houve um repique da doença. Pode ser que o governo federal aguarde e queira mandar de uma vez só os documentos do Paraná e do Mato Grosso do Sul?, apontou. Nesse caso, o envio não ocorreria antes de 20 de outubro, quando vence o prazo de seis meses em que o último animal foi sacrificado no Mato Grosso do Sul.

Outro obstáculo pode ser a demora da própria OIE em reconceder o certificado de livre de aftosa com vacinação. ?Existe todo o processo técnico. Podem pedir mais documentos ou mandar técnicos para uma diligência no Paraná?, apontou. ?Tudo depende da complexidade de cada País e, no caso do Brasil, a situação foi bem complexa.? Outro agravante são as eleições presidenciais – o governo federal pode estar mais preocupado nos votos do que em resolver este tipo de questão, segundo Fanaya.

?Não dá para imaginar que a coisa é tão simples, porque não é. Além disso, a OIE só certifica. O Paraná é que terá que ?bater na porta? da União Européia e tentar estabelecer novos contratos?, apontou, lembrando que a política protecionista de alguns países poderá dificultar a retomada da comercialização.