A agência classificadora de risco de crédito Fitch considera que a maior parte dos países da América Latina está numa posição relativamente boa para enfrentar as condições adversas do mercado externo. Entre os países com rating na categoria especulativa BB, o Brasil (com rating BB+) é o que tem a maior necessidade de financiamento público, mas já completou suas necessidades de captação externa para 2007, diz a agência. "A necessidade de financiamento restante deve ser coberta nos mercados locais", afirma a Fitch.

Embora os mercados de capitais do Brasil também tenham sido pressionados pelas recentes turbulências externas, a Fitch opina que o governo brasileiro tem flexibilidade para ficar fora dos mercados domésticos por alguns meses graças aos seus depósitos cash (à vista) no Banco Central. "Além disso, o status de credor externo do setor público do Brasil também aumenta sua resistência ao ambiente externo adverso, uma vez que as autoridades podem permitir que a moeda atue como um amortecedor de choque, sem debilitar significativamente a dinâmica da dívida pública", afirma a Fitch.

Em relação à região latino-americana como um todo, a Fitch acredita que o atual ambiente externo será menos benigno no curto prazo do que se previa anteriormente, mas acrescenta que a maioria dos países está totalmente financiada para o restante do ano, "o que deve limitar o impacto do quase fechamento dos mercados internacionais de capitais". A Fitch atualmente não espera qualquer deterioração significativa no perfil de crédito dos países latino-americanos.

Reservas

A Fitch estima que as necessidades de financiamento externo da América Latina (em relação às reservas) está em 22% em 2007, ou seja, significativamente abaixo do pico de 105% de 2000. As reservas internas mais altas, as necessidades de financiamento externo mais baixas e a ampla prevalência das taxas de câmbio flexíveis na região dão flexibilidade para a maior parte dos países latino-americanos lidar com as condições externas, diz o comunicado.

Participação estrangeira

A agência alerta que a maior participação estrangeira nos mercados locais de renda fixa implica que os choques financeiros globais podem ser mais facilmente transmitidos aos mercados locais, levando a custos mais altos de financiamento doméstico e maior pressão sobre as moedas. Países como Argentina e Venezuela com quadro de política macroeconômica mais fraco, devem sentir maior pressão, com os investidores centrando foco nas políticas monetária e de câmbio, diz a Fitch.

A Fitch também acredita que o ambiente externo pode dificultar a emissão de bônus denominados em moeda local nos mercados internacionais, uma tendência recentemente vista entre países como Brasil, Colômbia, Uruguai e Peru.