Os agricultores brasileiros esperam para os próximos dias o anúncio de medidas para o setor, acertadas durante o chamado ?tratoraço?, que reuniu cerca de 22 mil ruralistas nesta semana em Brasília. Entre as medidas está a liberação de recursos na ordem de R$ 3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o investimento em máquinas e equipamentos. Além disso, aumento do prêmio da subvenção do seguro rural, e liberação da garantia para a securitização.

O presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, que esteve participando das negociações, disse que também foi acordada a importação de insumos agrícolas dos países do Mercosul. Porém, ficou pendente a fixação dos preços do arroz irrigado, que afetam diretamente os produtores do Rio Grande do Sul. Segundo Koslovski, os agricultores querem um valor de R$ 25 para o escoamento do produto, mas o Ministério da Fazenda não concorda com um valor superior a R$ 23. Outro ponto ainda sem acordo foi em relação ao alongamento das dívidas de custeio.

Segundo o presidente da Ocepar, esses dois temas deveriam ter sido resolvidos na quarta-feira, no final do dia, em uma segunda rodada de negociações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e da Fazenda, Antônio Palocci. ?Mas o movimento perdeu o controle, e os agricultores que aguardavam do lado de fora foram informados erroneamente que as negociações não avançaram. Então eles trancaram as ruas e o presidente Lula suspendeu a reunião dizendo que sob pressão ele não negociaria com o setor?, comentou. Na opinião de João Paulo Koslovski, apesar desse episódio, o presidente deverá anunciar as medidas nos próximos dias, ?mas se isso não acontecer, os agricultores, de forma regional, podem tomar medidas drásticas?.

Queda

O tratoraço, na opinião do presidente da Ocepar, fortaleceu mais o ministro Roberto Rodrigues, pois o próprio Lula admitiu que ele já havia lhe alertado sobre a situação do setor. Koslovski confirmou que estiveram em três ocasiões com Rodrigues discutindo a situação do Paraná. Ele citou como exemplo da queda de renda no Estado as exportações de farelo de soja. No ano passado foram exportadas 1 milhão e 300 mil toneladas, contra 1 milhão e 700 mil toneladas nesse ano. Apesar do aumento na produção, houve queda nas vendas, de US$ 350 milhões para US$ 338 milhões. ?Aumentou a produtividade mas houve queda na renda, e isso reflete em diversos setores?, ponderou, acrescentando que o Paraná também perdeu 1% no bolo das exportações brasileiras. ?O governo precisa ver isso?, finalizou Koslovski.

Dia Internacional do Cooperativismo

Hoje, em todo o mundo, é comemorado o Dia Internacional do Cooperativismo. A data foi instituída em 1895 pela Aliança Cooperativa Internacional, uma ong que difundiu a proposta do cooperativismo, presente hoje em 108 países e com 810 milhões de associados. O Paraná comemora a data com um crescimento no setor, cuja receita atingiu em 2004 R$ 18 bilhões, resultado do trabalho de 210 cooperativas e 350 mil cooperados.

O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, destaca que hoje 20% da população paranaense tem algum tipo de relação com o cooperativismo, seja na condição de cooperado, dirigente ou mesmo colaborador. ?O setor contribui com 18,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná – estimado em R$ 104 bilhões -, apesar de todos os fatores negativos que paralisaram o setor produtivo e a economia. Isso demonstra a competência e a importância do papel das cooperativas?, falou o presidente.

Os investimentos realizados no último ano atingiram mais de R$ 780 milhões, dos quais cerca de R$ 500 milhões voltados à agroindustrialização, com o objetivo de agregar valor à produção primária. Um dos resultados desse processo agroindustrial, explica Koslovski, é o crescimento das exportações. São mais de 30 produtos, exportados para mais de 60 países, que em 2004 representaram negócios de US$ 1 bilhão em vendas no mercado internacional.

Até 2010 as cooperativas do Paraná querem dobrar as exportações, que hoje atingem cerca de US$ 1 bilhão, e os investimentos devem chegar a US$ 3 bilhões. A proposta também é aumentar a industrialização dos produtos, passando de 55% para 65%. (RO)