São Paulo

– Embora ainda não tenham afetado os resultados da balança comercial, a paralisação do Porto de Paranaguá, a greve dos fiscais agropecuários e a ameaça dos funcionários da Receita Federal de cruzarem os braços já estão causando prejuízos para os exportadores do agronegócio. O prêmio de risco da soja brasileira subiu de US$ 0,10 por bushel (27,2 quilos) no ano passado para US$ 1,40 nos últimos dias, segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Na prática, isso significa que a soja brasileira está sofrendo um deságio muito maior por causa dos riscos de atraso na entrega e não-cumprimento de contratos. A alta do prêmio, que é descontado do valor recebido pelos produtores, pode levar a um prejuízo de US$ 1,226 bilhão no ano se a situação não for regularizada, segundo Getúlio Pernambuco, chefe do departamento econômico da CNA. “O agronegócio está pagando a conta”, diz Pernambuco. Segundo o Ministério da Agricultura, com a greve dos fiscais agropecuários, suspensa na sexta-feira, o País deixou de exportar US$ 575 milhões e cerca de 200 mil toneladas de alimentos ficaram paradas nos terminais de embarque.