Berlim – Antes um país com fama de honesto, a Alemanha passou a ser o que sua mais importante revista de informação, “Der Spiegel”, definiu, semana passada, como “República das Trapaças”. Seja na sonegação do imposto de renda, no trabalho ilegal ou nas passagens de ônibus não pagas ? em todo canto há a tendência à falcatrua, efeito direto da estagnação econômica pela qual vem passando o país.

As estimativas são de que anualmente 370 bilhões de euros de impostos são sonegados. Para o economista Friedrich Schneider, a economia paralela, que na Alemanha tem o nome sugestivo de “economia da sombra”, movimenta anualmente 350 bilhões de euros, 16% do PIB alemão.

? O aumento da sonegação resulta de uma mudança de valores. Antes, as pessoas valorizavam a honestidade, mas hoje todos querem ganhar às custas dos outros para gastar menos ? disse Schneider.

Até estrelas do esporte alemão, como os ex-tenistas Boris Becker e Steffi Graf, já foram pegos por sonegação de milhões de dólares. Gente mais humilde anda apelando também para poupar dinheiro de forma ilegal. Em Berlim, a empresa de transportes coletivos tem prejuízos anuais de sete milhões de euros em conseqüência do não pagamento de passagens (os tíquetes podem ser comprados em máquinas). Quem é pego sem tíquete em controles esporádicos é obrigado a pagar uma multa de 60 euros. Assim mesmo, milhares viajam sem pagar nos transportes coletivos.

Não só o Estado tem prejuízos. Médicos e dentistas precisaram modificar os seus métodos de trabalho. Um paciente particular que ia a um consultório médico ou odontológico precisava apenas dizer o nome e endereço, fazia a consulta, o tratamento desejado e depois recebia a conta pelo correio. Agora, começa-se a exigir dos pacientes que mostrem uma identidade antes da consulta.