O reajuste da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual adotado anteontem pelo Comitê de Política Monetária, desagradou analistas do mercado, que não entenderam por que o Copom não optou por um aperto mais forte na taxa de juros.

Esses analistas questionam por que o Copom não subiu de uma vez a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, que seria a decisão considerada mais correta, caso o comitê estivesse realmente preocupado com a inflação futura.

A alta de 0,25 ponto percentual, dizem os especialistas, terá pouco efeito sobre a inflação futura. ?Parece que ele quis dizer que vai parar de subir os juros, mas aos poucos?, afirma João Borges, gestor de renda fixa da Máxima Asset Management.

A confusão se torna maior porque o Copom, em sua última ata, já indicava que o ciclo de altas estava próximo do fim, já que a taxa Selic estaria num nível considerado suficiente para controlar a inflação.

Alexandre Póvoa, economista da Modal Asset Management, diz que o Copom pode apresentar duas justificativas para a alta deste mês em sua próxima ata: a alta recente dos indicadores de inflação domésticos e a preocupação com as expectativas inflacionárias, além de alguma menção ao cenário externo.

?O que eu questiono é que, caso o cenário realmente piore em maio (como o Copom talvez espere), o que ele vai fazer? Uma alta de 0,5 ponto não vai adiantar?, diz ele.

A corrente majoritária dos economistas se inclinava para a manutenção da taxa Selic em 19,25%, no encerramento de um ciclo de alta que se estendeu por sete meses.

Nessa visão, o Copom levaria em conta que o cenário externo não mostra sinais de piora e que a economia brasileira já começa a indicar desaquecimento, o que desautorizaria preocupações com a inflação futura.

Para o analista da corretora Concórdia, João Alberto Cabral, o mercado acionário pode corrigir para baixo, já que as apostas majoritárias eram pela manutenção da taxa básica.

Quanto ao dólar, diz o analista, a taxa cambial pode continuar no rumo de queda, ?já que o fluxo continuará sendo o fator preponderante num ambiente de juros altos?.