O Banco Central avaliou no Relatório Trimestral de Inflação que apesar da piora das expectativas para a inflação de 2015 e a da deterioração do balanço de riscos e da trajetória fiscal, o descolamento entre as projeções para o próximo ano e a meta ainda é pequeno. O BC ponderou que esse distanciamento ocorre depois de ter havido “certo progresso” no processo de convergência. O documento diz que as expectativas de inflação ainda se encontram próximas, ou na meta de 4,5% ao ano, nos horizontes de médio e longo prazo, a despeito do descolamento que tem se observado para 2016.

Para o BC, esses fatos mostram um “claro e importante sinal” sobre os progressos obtidos com a implementação da estratégia atual de política monetária e, por outro lado, sobre as consequências da deterioração no balanço de riscos. Essa diferença entre a meta e as expectativas, no entanto, pode comprometer a promessa da instituição que, sem conseguir levar o IPCA ao menos para dentro das bandas de tolerância da meta em 2015, colocou suas energias no próximo ano. A cúpula da instituição tem repetido como um mantra que fará o IPCA convergir para a meta no fim de 2016. Apesar disso, neste RTI, passou a ver essa convergência apenas em 2017.

“O Copom entende que uma fonte de risco para a inflação reside no comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível elevado da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços, pelos processos ora em curso de ajuste de preços relativos, entre outros fatores”, disse a instituição no documento. Apesar disso, o BC sugere que a inflação percebida pelos agentes econômicos pode estar sendo superior à inflação efetiva.