O cenário macroeconômico de 2017 e 2018 divulgado nesta quarta-feira, 20, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) considera a manutenção do risco país em níveis próximos ao atual, mas o debate eleitoral de 2018, especialmente por se dar diante da necessidade de reformas para enfrentar o ajuste fiscal, poderá colocar tudo a perder.

Segundo um cálculo estatístico de pesquisadores do Ipea, um avanço de 20 pontos-base na parcela “doméstica” das cotações dos CDS do Brasil reduz os investimentos em 0,75% após quatro meses e em 1,0% após oito meses.

O estudo estatístico está publicado na seção sobre macroeconomia da Carta de Conjuntura do Ipea, divulgada nesta quarta-feira. No cálculo, os pesquisadores estimaram o “componente idiossincrático” do CDS do Brasil, “separando-o do componente comum aos CDS dos demais países emergentes”.

“A estimação de um modelo autorregressivo vetorial (VAR) para o risco idiossincrático do Brasil e para o investimento agregado, em bases mensais, revela que um choque de 20 p.b. no risco Brasil reduz o investimento em cerca de 0,7% após 4 meses, e quase 1% após 8 meses”, diz o texto de um box especial da Carta de Conjuntura, ressaltando que “a conclusão ainda requer estudos quantitativos mais aprofundados”.

Para os pesquisadores do Ipea, isso “sugere que a eventual elevação do risco idiossincrático do Brasil”, ou seja, relacionado a fatores domésticos, “pode levar à significativa desaceleração do crescimento”.

Segundo o diretor-adjunto de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, Marco Antônio Cavalcanti, a elevação do risco país pode contaminar a dinâmica dos investimentos por diferentes canais, como câmbio, confiança e a curva de juros futuros. O estudo estatístico, porém, não procurou medir o peso de cada um desses canais.