O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (2) que o aumento do desemprego no Brasil não pode ser comparado ao que ocorre em outros países. Lula foi questionado sobre se o crescimento do desemprego é uma das consequências dos efeitos da crise econômica internacional no País.

“É importante que a gente não compare o desemprego no Brasil com o que está acontecendo em outros países. Nos não temos uma crise generalizada no Brasil”, afirmou, após reunir-se com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Jan Peter Balkenende, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Lula disse que houve crescimento no número de postos de trabalho criados nos últimos cinco anos. “Tivemos até agora três meses negativos, e eu trabalho com a convicção de que no final do ano os empregos gerados serão maiores do que os empregos desmontados no Brasil”, declarou. “Continuo otimista em relação ao ano de 2009. Esse é o trimestre que eu considero mais delicado e espero que comecemos a melhorar a partir do segundo trimestre.”

Ao falar sobre o caso específico da Embraer, Lula disse que o caso da fabricante de aviões é diferente das demais companhias brasileiras, uma vez que 90% de sua produção é voltada para o mercado externo. Ele amenizou o tom das críticas que fez à empresa no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”, em que afirmou que as demissões de 4,2 mil trabalhadores anunciadas no dia 19 de fevereiro eram “quase uma anomalia”.

“Na medida em que as encomendas são suspensas, a empresa teve que dispensar. As críticas que eu tinha que fazer à empresa eu já fiz junto com o ministro Miguel Jorge”, afirmou.

Lula disse o Brasil pode ajudar a Embraer por meio da compra de aviões da empresa a serem utilizados na aviação regional. “Agora nós precisamos resolver o problema da aviação regional no Brasil para ver se podemos comprar aviões da Embraer”, afirmou.

“Não podemos nem nos queixar dos países estrangeiros que suspenderam os pedidos porque empresas brasileiras não fazem pedidos à Embraer. Para um leigo, é muito difícil entender porque utilizamos aviões da Boeing e da Airbus e não da Embraer”, acrescentou. Lula não citou o caso da Presidência da República, que, ao adquirir em 2003 um novo modelo para substituir o antigo Boeing (norte-americano) utilizado desde 1986, optou por uma aeronave da europeia Airbus.