As negociações entre a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) e o governo estadual podem ter uma definição na próxima semana. O secretário de Estado da Fazenda e Receita Estadual, Luiz Carlos Hauly, e o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Gilmar Viana, vão se reunir segunda-feira (dia 10) para tratar da redução da alíquota de 29,5% sobre bebidas.

Desde o ano passado, esse tem sido o único entrave na decisão da AmBev para decidir ou não pelo Paraná para a construção da sua nova unidade que deve consumir investimentos da ordem de R$ 300 milhões.

Os números não são confirmados pela AmBev, que apenas diz estar avaliando expandir a capacidade de produção no Paraná e que isso está sendo tratado junto ao governo.

Sabe-se que há meses a companhia procura por uma área de 1,5 milhão de metros quadrados na região de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, para dar vazão ao projeto.

“Há quatro áreas em análise. Além de ajudarmos nessa procura, oferecemos uma ampla infraestrutura em abastecimento de energia elétrica, água, gás natural, entroncamento ferroviário e um sistema de ensino eficiente para a capacitação de mão de obra. Ainda contamos com uma empresa de embalagens de alumínio, ou seja, tudo está a favor, só dependemos do governo para a fábrica se instalar aqui”, analisa o secretário de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional de Ponta Grossa, João Luiz Kovaleski.

Segundo ele, o projeto da AmBev terá a finalidade inicial de fortalecer o abastecimento de cervejas e refrigerantes no Sul do País e, na fase seguinte, erguer outra estrutura para atender aos países do Mercosul, a uma parte do estado de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.

“Eles trarão o que há de mais moderno em máquinas e precisam dessa decisão do governo até o final deste mês, uma vez que a meta da AmBev é estar produzindo bebidas ainda neste ano, até porque os acionistas já autorizaram o início das obras”, destaca Kovaleski. “Isso significa que se a fábrica não ficar aqui, esse montante irá para São Paulo ou Santa Catarina, que oferecem alíquotas de ICMS menores do que o Paraná, de 18% e 25%, respectivamente”, destacou.

Segundo o Sindicerv, o Paraná produz apenas 40% do que consome. De acordo com Gilmar Viana, se o governo baixar a alíquota, não só a AmBev fará esse investimento, mas também a Heineken, já instalada em Ponta Grossa, vai transferir toda a linha para a fábrica do Paraná, o que demandará R$ 60 milhões em investimentos.

O secretário da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, afirma que o novo governo está trabalhando para atrair novos investimentos produtivos dentro do chamado Programa Paraná Competitivo.

“O capital produtivo será amigo do Estado, porém, estamos avaliando como atrelar um tratamento tributário diferenciado sem desequilibrar a concorrência no Paraná”, ponderou.