Rio de Janeiro – A combinação entre uma melhor avaliação de riscos feita por analistas internacionais, a situação econômica e a estabilidade das expectativas para os próximos meses faz com que a América Latina viva o seu ?melhor ambiente econômico? desde 2000, aponta pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

O levantamento indica que o Índice de Clima Econômico (ICE), que mede a situação atual dos países e o que os especialistas esperam para os próximos seis meses, alcançou 5,9 pontos em julho deste ano, superando em 0,1 ponto o resultado de abril e atingindo o maior nível desde abril de 2000: 6 pontos.

O Índice de Situação Atual (ISA), que reflete a opinião sobre a evolução do consumo e dos investimentos do momento, avançou de 6,1 para 6,4 pontos, maior nível da série histórica iniciada em 2000. Já o Índice de Expectativa (IE), sobre consumo e investimentos esperados para o semestre subseqüente à pesquisa, caiu de 5,5 para 5,4. Os dois primeiros mantiveram-se acima da média histórica. Já o IE, que desde janeiro de 2005 é inferior ao ISA, ficou 0,2 ponto abaixo da média.

?Os analistas consideram a situação atual muito boa, entendem que as expectativas quando ao comportamento da economia da região, de maneira geral, ainda se apresentam favoráveis, apesar da pequena queda verificada no IE?, afirma a economista Lia Valls, da FGV.

Ela esclarece, porém, que a pesquisa não reflete possíveis impactos da crise recente do mercado financeiro. ?A pesquisa foi anterior à crise e somente a próxima pesquisa, a ser divulgada em outubro, é que poderá nos dizer melhor até que ponto a questão do mercado hipotecário norte-americano afeta as expectativas futuras sobre o comportamento da economia da região?.

No ranking de clima econômico da América Latina, ordenado pelo ICE médio de cada país nos últimos quatro trimestres, cinco países mudaram de posição entre abril e julho de 2007. Tiveram avanço Colômbia (passou da sexta para a quinta posição), Brasil (sétima para sexta) e México (nona para oitava). Argentina e Venezuela caíram – respectivamente, da quinta para a sétima e da oitava para a nona posição.

A melhoria do "ambiente econômico" é a principal constatação da segunda edição da Sondagem Econômica de Âmbito Mundial ? Versão para a América Latina, lançada hoje (21), no Rio de Janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas em conjunto com o instituto alemão IFO (Institute for Economic Research at the University of Munich). Foram consultados 110 especialistas de 15 países.