O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, voltou a criticar os subsídios agrícolas patrocinados por países industrializados aos seus produtores rurais durante a Conferência Internacional de Biocombustíveis que acontece em Bruxelas, na Bélgica.

Logo após o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual ele disse não ver contradição entre segurança energética e segurança alimentar, Amorim ressaltou as afirmações e disse: "O Brasil é um exemplo de que não há contradição alguma entre qualquer produção agrícola de grande porte, que tem seu espaço, e a agricultura familiar. O que mais atrapalha são os subsídios. Os subsídios agrícolas matam muita gente de fome no mundo".

As declarações do presidente e do ministro podem ser interpretadas como mais uma crítica direta aos Estados Unidos e à União Européia, que vêm sendo publicamente responsabilizados pelo governo brasileiro pelos entraves nas negociações da Rodada Doha, e também como uma resposta ao relatório divulgado pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) ontem, em Paris, no qual economistas apontaram a possibilidade de elevação dos preços de produtos agrícolas entre 10% e 20% nos próximos 10 anos.

A perspectiva de inflação no preço dos alimentos, justificaram os especialistas, se deverá ao plantio de grãos e cana-de-açúcar para fins energéticos. Ainda segundo o relatório, países africanos e asiáticos, grandes importadores de alimentos, serão os mais prejudicados – o que poderia resultar no agravamento da fome no mundo.