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Gilson Faust: solução para a crise virá em breve.

A crise imobiliária norte-americana, que estremeceu o mercado financeiro do mundo todo na semana passada – inclusive o brasileiro, com queda nas ações e alta do dólar -, não deve afetar a economia brasileira, pelo menos no curto prazo. Apesar disso, o momento é de cautela, dizem os analistas financeiros.

?Quem aplica no mercado de capitais precisa ter duas características: paciência e disciplina. Agora não é hora de entrar neste mercado; para quem já tem ações, não é o momento de realizar (vender papéis)?, recomendou o vice-presidente de Planejamento do Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros no Paraná (Ibef-PR), Cláudio Lunbacher. Para que o investidor não perca dinheiro com a atual volatilidade da economia, o executivo orienta que ele aguarde entre 30 e 60 dias ?até o mercado se acomodar?.

Já para quem tem viagem marcada para o exterior – e se assustou com a valorização do dólar no últimos dias -, Lunbacher recomenda a análise do orçamento familiar. ?Se o orçamento dessa pessoa suportar o dólar a R$ 2,00 ou R$ 2,10, não há problemas. Mas se ela planejava viajar com o dólar a R$ 1,80 e já tinha o orçamento preparado para este câmbio, o melhor é não viajar agora?, afirmou.

Para o executivo, o pior momento da crise já passou, e as conseqüências no Brasil devem ser sentidas apenas no médio prazo. ?O risco-País tende a aumentar e com isso pode haver pequena elevação da taxa básica de juros (Selic)?, prevê. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece em setembro. A Selic atual está em 11,5% ao ano.

Instrumentos

O diretor da Pactum Consultoria Empresarial, Gilson Faust, acredita em breve resolução da crise. ?A economia mundial está tão globalizada que gera segurança na resolução dos problemas. Antes os reflexos eram isolados, agora não?, afirmou. Faust lembrou que o governo brasileiro conta com instrumentos capazes de amenizar possíveis conseqüências negativas. ?O País conta com boa reserva cambial, o erário público está com os cofres cheios, podem ser adotadas medidas de desoneração tributária?, afirmou.

Para o diretor, devem sentir algum efeito da crise empresas brasileiras voltadas para o mercado externo. ?Pode haver queda no ritmo da economia mundial. Nesse caso, uma alternativa é que estas empresas se voltem para o mercado interno?, orientou. Quanto ao câmbio, Faust acredita que deva voltar ao patamar de R$ 1,80 a R$ 1,85. ?A alta do dólar foi artificial, uma fuga por segurança. Assim que passar esta crise, vai voltar ao patamar anterior?, arrematou.