Rio (AE) – Amaioria dos economistas de 20 instituições financeiras que compõem a Comissão de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará, na reunião de junho, a redução dos juros básicos de 18,5% para 18%.

Em julho e agosto, as reduções seriam ainda maiores, entre 0,70 e um ponto porcentual. O maior motivo para isso seria o desaquecimento da atividade econômica.

Os economistas da Comissão observam, porém, segundo nota da Andima, que as atas do Copom não têm mostrado uma “tendência consistente, dadas as recentes mudanças de rumo, como a decisão de manter a taxa Selic (a taxa básica de juros) inalterada em abril”.

A Comissão lembra que o comportamento dos preços livres está estável, devido à demanda fraca, e que a taxa de juros a ser fixada no mês que vem só fará efeito nos preços em 2003, o que facilita a redução dos juros.

Inflação

Outro argumento é o de que as taxas elevadas são inócuas para garantir o controle da inflação, uma vez que as principais pressões têm sido exercidas pelos preços administrados e de contratos.

“Uma taxa Selic elevada, portanto, contribuiria apenas para agravar indicadores já preocupantes, como demanda fraca, massa salarial em queda, crédito em baixa e investimentos deprimidos”, diz a nota da Andima.

Os defensores da queda dos juros na próxima reunião também consideram que a redução da taxa no curto prazo ajudaria a melhorar a percepção do risco Brasil, embora outra corrente considere muito difícil que isso ocorra em um período de incertezas pré-eleitorais. A nota diz também, no entanto, que a incerteza em relação à sucessão presidencial marcou a última reunião da Comissão e as últimas pesquisas de intenção de voto levaram muitos dos participantes a aumentar a pro-babilidade de vitória da oposição em suas análises.