As vendas da indústria produtora de implementos rodoviários recuaram 10,68% de janeiro a agosto deste ano sobre igual período de 2013, segundo dados da Associação Nacional dos fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir). Em oito meses, as empresas produziram e distribuíram 103.925 unidades, volume inferior aos 116.354 nos mesmos meses do ano passado.

O segmento de reboques e semirreboques (Pesado) registrou de janeiro a agosto a venda de 37.741 produtos, volume 16,44% abaixo das 45.169 unidades comercializadas em igual etapa do ano passado. Já no segmento de carroceria sobre chassis (leve) a queda registrada foi de 7,03%, com as vendas passando de 71.185 unidades para 66.184 produtos.

“A indústria sente diretamente os reflexos da queda na atividade econômica no primeiro semestre e da recessão técnica”, disse o presidente da entidade, Alcides Braga, em nota. A entidade lembra, porém, que medidas tomadas pelo governo em favor do setor poderão limitar as perdas.

Dentre as medidas tomadas, destaque para a publicação, na última terça-feira, 2, da Circular nº 37 do BNDES, que colocou à disposição do programa Procaminhoneiro a modalidade de crédito leasing para financiamento de implementos rodoviários, caminhões e demais produtos. O benefício é destinado a autônomos, micro e pequenos empresários e vai operar com taxa anual de 6%.

Anteriormente, o BNDES já havia ampliado a parcela financiável de implementos rodoviários no programa PSI/Finame. Além disso, o governo já tinha anunciado a entrada dos implementos rodoviários no programa Mais Alimentos, de financiamento para pequenos produtores rurais que integra o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

“Esses benefícios poderão reduzir um pouco o impacto na retração do mercado de implementos rodoviários, mas o desempenho será inferior a 2013”, afirmou o presidente da Anfir. A estimativa da entidade é que em 2014 o mercado deverá ficar aproximadamente 10% abaixo do total registrado no ano passado.

A entidade prevê que o conjunto das medidas favoráveis ao setor poderá trazer resultados mais concretos no próximo ano, “se não acontecerem novos reveses na economia, como a recessão técnica”, acrescentou o diretor executivo da Anfir, Mario Rinaldi.

Além das medidas já citadas, a associação também comentou sobre a inclusão no programa de renovação de frota do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), mas avaliou que esse benefício não deverá trazer resultados positivos em breve, porque o programa ainda está em fase de discussão.