O relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que mostra o baixo padrão de atendimento aos passageiros das vias fluviais na região Amazônica defende a concessão de subsídios e subvenções do Estado para o modal de transporte, sem os quais “é impossível qualquer empresário suportar os investimentos em tecnologias mais modernas entre centros populacionais de baixa aglomeração e baixa renda”.

Segundo o documento, além do baixo nível de atendimento aos passageiros nos terminais, as embarcações que realizam esse transporte apresentam recorrentes problemas de conforto, higiene e segurança. Além disso, os barcos possuem idade avançada e navegam com tecnologias ultrapassadas.

De acordo com o levantamento, 63,5% das 446 embarcações cadastradas na região amazônica são feitas de madeira, seguidas de 22% fabricadas de aço e 10,1% de alumínio. Segundo a Antaq, 16,6% desses barcos têm mais de 20 anos, 21,2% têm de 11 a 20 anos, 29,9% têm registros de 5 a 10 anos e os outros 32,3% têm até 4 anos de navegação. “No entanto, observa-se regularmente que após reformas e adequações as mesmas geralmente obtêm nova idade”, pondera o documento.

Com 80% das vias fluviais navegadas do País, a região amazônica tinha uma média anual de transporte de 13,625 milhões de passageiros em 2012, que caiu para uma média de 8,991 milhões de passageiros com a construção da ponte rodoviária sobre o Rio Negro, que desativou as linhas Manaus – Cacau Pereira e Manaus – Iranduba. Para 2022, a Antaq projeta um crescimento de 12% na demanda, passando para 9,948 milhões de passageiros ao ano.

Já a movimentação de cargas na região amazônica chegou a uma média de 4,575 milhões de toneladas em 2012. Com um aumento estimado de 13% na demanda na próxima década, a Antaq prevê a movimentação média de 5,159 milhões de toneladas em 2022. Os dados referem-se apenas às 133 linhas regulares de transporte fluvial de carga (três exclusivas e 130 mistas). De acordo com o órgão regulador, a quantidade de carga transportada na região é maior se consideradas as linhas informais e eventuais, além dos barcos de pequeno porte que transportam produção regional.