A hidrelétrica de Jirau, que nos últimos anos protagonizou uma série de capítulos de vandalismo, quebradeiras e greves, o que gerou um longo atraso nas operações da usina, acabou convertida na principal munição do governo para atenuar riscos de falta de energia em 2015.

A avaliação é do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pelo gerenciamento do suprimento de energia no País. “O grande reforço desse ano virá do Rio Madeira, onde as usinas estão entrando em operação. É a principal contribuição de geração para o sistema interligado nacional”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp.

Das 50 turbinas previstas para Jirau, que fica a cerca de 120 quilômetros de Porto Velho (RO), 22 entraram em operação até dezembro. No cronograma previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mais 23 unidades devem ser acionadas neste ano. Como cada máquina tem 75 megawatts de potência, são 1.725 MW a mais no sistema. Isso significa quase 20% de toda energia adicional prevista para o País em 2015.

A influência do Rio Madeira só não será maior por causa de revisões de cronograma na hidrelétrica Santo Antônio. A usina, que até outubro de 2014 tinha 32 máquinas liberadas para operação comercial, responsáveis pela geração de 2.286 MW, tem previsão de adicionar apenas mais duas unidades em 2015 – ou 139 MW. Ao todo, Santo Antônio terá 44 turbinas.

Atrasos

Nas contas da Aneel, Jirau acumula atrasos de até 24 meses em relação ao cronograma original. No caso de Santo Antônio, o período chega a 11 meses. “Apesar dos atrasos, o importante é que as máquinas estão entrando efetivamente em operação, sem problemas, e seguirão assim ao longo do ano”, disse Hermes Chipp.

O escoamento da energia gerada por Jirau e Santo Antônio é feita pela linha de transmissão do Madeira, malha de 2.375 km que liga Porto Velho a Araraquara (SP). A aposta na geração dessas hidrelétricas se apoia, basicamente, no regime de chuvas. O maior volume de água do Madeira ocorre, justamente, nos picos de seca da região Sudeste.

Com o acréscimo da geração hidrelétrica, segundo Hermes Chipp, não será necessário ampliar a capacidade de geração das usinas térmicas do País. “Não dependeremos de térmicas adicionais. Se tivéssemos essas usinas novas, seria bom, claro, mas tudo indica que não será necessário.”

Térmicas

O planejamento da Aneel aponta que, em 2015, cerca de 10 mil MW devem ser adicionados à matriz elétrica nacional. Desse total, 4 mil MW virão de usinas eólicas. Outros 3,8 mil MW sairão das turbinas de hidrelétricas. O resto se divide entre novos projetos térmicos. O dilema do governo atual é saber se as térmicas sairão mesmo do papel. Apesar de usinas térmicas com 3.455 MW de capacidade estarem em obras, outros projetos de 2.814 MW estão parados ou nem tiveram as obras iniciadas. Nos últimos dez anos, a média anual de crescimento na geração foi de 3,9%. Entre 2004 e 2014, aponta a Aneel, a potência instalada nacional saltou 46%, de 90 mil MW para 132 mil MW. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.