Depois de passar por um período recessivo, o setor de refrigeração, ar-condicionado, aquecimento e ventilação começa finalmente a dar sinais de recuperação. É o que aponta Luiz Carlos Petry, diretor-técnico da Asbrav, entidade sul-brasileira que promove o Mercofrio 2004 – evento que acontece até sexta-feira no Estação Embratel Convention Center, em Curitiba. Petry lembra que 2003 foi um ano difícil para a indústria num todo. “Estamos saindo de um período relativamente recessivo e começando a nos recuperar”, afirmou.

De acordo com Petry, o aumento nas vendas de equipamentos de refrigeração e ar-condicionado podem refletir inclusive na falta de componentes a curto prazo, entre eles cobre, alumínio e compressores. “O mercado está começando a detectar essa possibilidade”, alertou. Segundo Petry, caso a previsão se concretize, a conseqüência será o atraso na entrega dos produtos. “A oferta mundial de componentes diminuiu, e o Brasil faz parte deste processo, tanto como importador quanto como exportador.”

Em números, o segmento apresenta faturamento anual de R$ 1 bilhão. “Esse número caiu em 2002 e 2003”, apontou Petry, sem citar índices. A feira deve reunir cerca de 15 mil participantes e gerar aproximadamente R$ 50 milhões em negócios. Ao todo, 75 expositores participam do evento, entre fabricantes, distribuidores, instaladores e engenheiros, que representam quase 30% do Setor no Sul.

Paraná

Grande parte das fábricas do segmento – quase 60% – está instalada no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já em termos de mercado consumidor, o Sul tem participação de aproximadamente 23%.

Entre as grandes empresas com fábrica no Paraná, destaque para a Trox do Brasil, de origem alemã, instalada na Cidade Industrial, em Curitiba. Para o diretor superintendente Celso Alexandre, as vendas este ano cresceram 2% este ano, mas ainda estão entre 12% e 15% abaixo de 2001. “Estamos sentindo que o mercado ainda não se recuperou”, apontou Alexandre, referindo-se à área em que a Trox atua – ar-condicionado central. “É um setor que praticamente não cresce no Brasil há pelo menos dez anos.”

Para o diretor, o custo é apenas um dos fatores que dificulta as vendas em detrimento dos produtos unitários – para ambientes menores, como residências e escritórios. A outra é uma portaria federal que estipula uma série de exigências para a instalação do ar-condicionado central. Com fábricas em 12 países, a Trox já teve a do Brasil como a mais importante, lembra Celso Alexandre. “Até 2002, o Brasil ocupava a segunda posição em importância, mas perdeu posições”, lamentou. Segundo ele, o aumento do preço de insumos – como chapa de aço e alumínio – e o não repasse ao consumidor tem feito com que o faturamento do setor caia.

Para o gerente da filial Trane, Eduardo Hugo Muller, instalada em Araucária, o crescimento do setor depende da retomada da construção civil. “Quanto mais hotéis e apartamentos de luxo, maiores as vendas de ar-condicionado”, aponta. Com foco na produção de ar-condicionado central, a Trane tem 25 fábricas instaladas no mundo, sendo a de Araucária uma das mais modernas. Para Muller, com o mercado interno relativamente estagnado, é a exportação – que responde por cerca de 30% das vendas – quem acaba garantindo a lucratividade.

A York International, cuja matriz é nos Estados Unidos, também tem fábrica instalada na Região Metropolitana de Curitiba – em Pinhais – e outra em São Paulo. No ano passado, a filial brasileira produziu cerca de 40 mil unidades e faturou quase US$ 60 milhões. “Para este ano, nossa expectativa de crescimento é grande: quatro ou cinco vezes o PIB”, afirmou a supervisora de Marketing, Denise Lima. Ou seja: quase 20% de crescimento. Segundo ela, o mercado de ar-condicionado crescia muito há cerca de quatro anos. Parou, e a expectativa agora é que as vendas se recuperem. “Já estamos sentindo a recuperação neste segundo semestre”, arrematou.