A Argentina aperta ainda mais o cerco às importações, adicionando um elemento a mais de tensão na relação comercial com o Brasil. Na lista de 200 bens sujeitos a controles de importação, por meio do instrumento denominado licenças não automáticas, foram incluídos mais produtos têxteis, móveis de madeira, parafusos, colheitadeiras, tratores, facas e aparelhos de ar condicionado. A medida foi publicada na quinta-feira (5) no Diário Oficial do país.

“Dentro de 20 dias corridos de sua publicação”, os importadores destes produtos terão de pedir autorização oficial para comprá-los, conforme a resolução. Isso significa demoras, em alguns casos, de até nove meses para que o produto entre no mercado argentino. Importantes itens já estão sob esse regime há anos: eletrodomésticos (geladeira, fogão e máquina de lavar roupa), calçados, confecções, alguns tipos de linhas e tecidos.

O endurecimento da estratégia oficial argentina iniciada meses atrás para proteger a indústria do país ocorre seis dias antes da reunião entre ministros e técnicos do Brasil e da Argentina. O encontro será na quinta-feira da semana que vem (dia 12), em Buenos Aires, justamente para discutir as barreiras argentinas ao comércio exterior. Diante de uma queda da demanda e um cenário de excedentes de mercadorias em nível mundial, o governo de Cristina Kirchner não duvida em manter o punho firme no controle de suas importações, mesmo que isso gere problemas no relacionamento com o Brasil.

Atrás do argumento da proteção da indústria nacional, o governo local tem outro objetivo ao limitar as importações: a manutenção do superávit comercial, que vem se debilitando tanto em volumes quanto em valores, devido à queda dos preços das matérias-primas (commodities), principais bens exportados pelo país.