Armínio Fraga: apoio para “políticas razoáveis”.

Londres (AE) – O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem na capital inglesa, que está convencido de que o FMI vai continuar apoiando o Brasil no próximo governo. ?Estive em Washington e estou completamente persuadido de que o FMI vai continuar a apoiar o Brasil com suas políticas, independentemente de quem esteja lá (na presidência)?, afirmou Fraga, em palestra para cerca de cem investidores e analistas estrangeiros, promovida pelo Deustch Bank.

Um dos analistas questionou Fraga a respeito de sua segurança quanto ao FMI por causa das cobranças que o Fundo tem feito a países como Argentina e Turquia. ?Eu não disse que o FMI apoiaria qualquer coisa, mas sim que continuaria apoiando o Brasil se continuarmos com políticas razoáveis?, respondeu Fraga.
O presidente do BC acrescentou que ?o FMI tem resistido a apoiar economias com câmbio fixo e com sistema bancário fraco?. ?Não é nosso caso?, disse.
Presidente capaz
O presidente do BC assegurou, também, que o país elegerá em outubro um presidente capaz de administrar a economia brasileira.
Uma eventual vitória de Luiz Inacio ?Lula? da Silva do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda) nas presidenciais vem causando turbulências nas bolsas e no mercado de câmbio devido à preocupação dos investidores.
?Não acho que o Brasil vá escolher uma pessoa que não administre de forma sensata e correta a economia?, explicou Fraga.
O presidente do BC também afirmou que lhe parece ?pouco provável? que o real continue caindo em relação ao dólar.
Em meio a um aumento da taxa de risco do Brasil, o real registrou uma desvalorização de 16% em relação ao dólar desde o início do ano.
O FMI destacou nesta quarta-feira o ?notável? desempenho econômico do Brasil e, segundo o porta-voz do Fundo, Thomas Dawson, o Fundo Monetário Internacional (FMI) está pronto para trabalhar com qualquer novo governo que defenda políticas ?sadias?.
?Comemoramos as recentes expressões de amplo apoio do Brasil para manter políticas econômicas responsáveis durante a campanha eleitoral presidencial e a nova administração. O FMI quer trabalhar com qualquer novo governo comprometido em implementar políticas sadias?, disse Dawson.

FMI: apoio às políticas sãs

O fundo Monetário Internacional (FMI) assegurou ontem que trabalhará com qualquer governo brasileiro comprometido com políticas econômicas ?sãs?, e saudou as recentes declarações nessa direção do candidato de esquerda Luis Inácio ?Lula? da Silva, favorito nas pesquisas para as eleições de outubro próximo.
Sem nomear diretamente Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), o Fundo Monetário Internacional (FMI) deu as boas-vindas às ?recentes expressões de amplo apoio, dentro do Brasil, em favor de manter políticas econômicas responsáveis durante a campanha eleitoral presidencial, e além disso, com uma nova administração.?
A bolsa e as finanças públicas brasileiras sofreram forte turbulência na semana passada, classificada como ?efeito Lula?, ante o temor de que o candidato de esquerda vença as eleições e abandone as políticas ortodoxas seguidas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
O porta-voz do FMI, Thomas Dawson, que na semana passada tinha elogiado o desempenho do governo de FHC na condução da economia, reiterou ontem que ?o compromisso das autoridades brasileiras com políticas econômicas em monetárias sólidas é impressionante?.
Depois de saudar as ?recentes expressões? em favor de ?políticas responsáveis?, Dawson assegurou que o FMI está disposto ?a trabalhar com qualquer nova administração comprometida com a prática de políticas sãs?.