Produtos ganham reconhecimento nacional.

O artesanato do Paraná vem conquistando, timidamente, seu espaço no cenário nacional. Mesmo sem contar com um produto específico que o projete para todo o País – como a cachaça de Minas Gerais ou as famosas garrafinhas de areia colorida do Rio Grande do Norte -, o Estado tem se saído bem quando o assunto é fazer belos produtos de maneira rudimentar, cujas técnicas geralmente são passadas de geração para geração. Nem a crise econômica parece desanimar tais artistas.

“Para mim, o período está sendo ótimo. Trabalho muito com arquitetos, lojistas, e sempre há encomendas”, diz Marli Pazda, artesã há trinta anos. Ela conta que já passou por situações econômicas difíceis, mas conseguiu superá-los. Fabricando peças de cerâmica com material reciclável, Marli conta que acorda às seis da manhã e trabalha até à noite, fabricando cerca de 200 peças por mês e consegue vender todas.

Herança da tataravó, o artesão Renê Gomes Scholz conta que se dedica à tecelagem de xales e mantas há quase vinte anos. Sua mãe, em Curitiba, e a avó, em Minas Gerais, também estão no ramo. Para Scholz, que fabrica sozinho quase cinco xales por dia, uma das vantagens do artesanato é a possibilidade de gerar empregos. Hoje ele conta com quatro funcionários, mas aponta: “Por trás do produto acabado há o trabalho de pelo menos quinze pessoas”. Com relação aos custos, o tecelão revela que trabalha essencialmente com fios importados – portanto, com o valor atrelado ao dólar. “Em um ano, o custo aumentou em 30% ou 35%. Não tem como repassar a mesma proporção aos consumidores.” No varejo, Scholz já vendeu para clientes da Alemanha, Canadá e Japão.

A artesã Cristiane Trevisan, cujo pai já fabricava jogos de xadrez, conta que está tendo oportunidade de ver seus produtos expostos em outros países, através de feiras que a Uniart – Universidade Livre do Artesanato e Cultura Popular – participa. A última foi no Canadá. “Vendemos principalmente para turistas”, revela. Cada jogo, que pode custar entre R$ 48,00 e R$ 57,00, é feito de madeira reciclada e marfim. A matéria-prima responde por quase 30% do preço final, enquanto a maior parte do custo é mão de obra. “Muitas pessoas não entendem a diferença entre o produto artesanal e o industrial e acham que é caro o artesanato”, lamenta. Cristiane e seus pais fabricam quase 50 jogos de xadrez por mês.

Serviço: O artesanato do Paraná, de outros 20 estados brasileiros e 26 países podem ser vistos até o dia 1.º de junho na 11.ª Feira Internacional de Artesanato (Feiart), no Centro de Exposições Barigüi, em Curitiba. A feira acontece de segunda a sexta, das 16h às 22h; sábados, das 14h às 22h; domingos, das 14h às 21h. Ingressos a R$ 5,00 para maiores de 12 anos.