A Associação dos Bancos Britânicos (BBA) disse que as novas exigências de capital, aprovadas hoje pelo Comitê de Supervisão de Bancos da Basileia, deverão ajudar a melhorar a estabilidade das instituições e do sistema financeiro. A entidade afirmou, porém, que o ritmo de implementação será um fator crucial.

“A transição é a parte crítica, na medida em que as normas vão tirar dinheiro da economia. Embora os bancos britânicos estejam em uma posição muito mais forte do que a maioria em termos de capital, as mudanças previstas no Acordo Basileia III precisam ser implementadas ao longo de bastante tempo e numa sequência muito cuidadosa, para evitar que a debilidade da economia se prolongue”, disse a executiva-chefe da BBA, Angela Knight.

O acordo determina que o capital total que os bancos deverão manter reservado para cobrir eventuais perdas com investimentos ou créditos seja de 8% dos ativos. Será estabelecido ainda um colchão adicional de capital equivalente a 2,5% dos ativos, o que elevará o total para 10,5%, dos quais uma parcela de 4,5% deverá ser em nível de capitalização – valor total das ações ordinárias mais reservas em “cash” (dinheiro).

Para a Federação Francesa de Bancos, as novas exigências vão requerer “esforços significativos” por parte das instituições financeiras. “As novas exigências vão requerer um esforço significativo por parte dos bancos e isso terá consequências para o financiamento da economia”, afirmou uma porta-voz.

Em Zurique, a Finma, agência reguladora do sistema financeiro da Suíça, elogiou a aprovação do acordo da Basileia, mas ressaltou que a reforma não avança o suficiente no que se refere às consequências da falência de um grande banco para o resto do sistema financeiro. Segundo a agência, a questão dos bancos considerados “grandes demais para falirem” é importante por conta do papel desempenhado por instituições como o UBS e o Crédit Suisse na economia. A agência acrescentou que tem a confiança de que o grupo de especialistas do Comitê de Supervisão Bancária da Basileia possa expandir o acordo para tratar da questão.

Em Frankfurt, o diretor executivo da associação de bancos cooperativos da Alemanha (BVR), Gerhard Hofmann, disse que o setor tem um nível sólido de capitalização e “por causa disso, também vai se adequar às exigências mais duras do Acordo Basileia III”. Ele acrescentou que permanecem dúvidas sobre se todos os países do mundo terão de implementar as novas normas ao mesmo tempo. Para Hoffman, “um caráter de maior obrigatoriedade e maior confiança parecem indispensáveis entre os parceiros da Basileia e entre os integrantes do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo)”.

Para Axel Weber, presidente do Bundesbank (o banco central alemão) e diretor do Banco Central Europeu (BCE), o acordo dá “consideração apropriada” às instituições financeiras de seu país. “A fase gradual de transição tornará possível a todos os bancos cumprirem com a elevação das exigências mínimas de capital e de liquidez”, disse Weber.

Segundo o comunicado do Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, os bancos terão dez anos, a partir de janeiro de 2013, para deixar de registrar como “equity” – ou capital próprio – instrumentos que as novas normas já não reconhecem como tal. Em julho, a Alemanha foi o único país que se recusou a ratificar as novas definições de capital bancário, por causa do temor de que o setor financeiro do país pudesse ser particularmente atingido com a adoção das novas normas. As informações são da Dow Jones.