O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar, na próxima segunda-feira (19), uma medida provisória para acelerar os investimentos públicos para a Copa do Mundo. Foi o que revelou, ontem, em Curitiba, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Alexandre Padilha. Ele veio à capital paranaense para apresentar a “Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento”, documento elaborado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

A apresentação aconteceu em uma das sedes da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), durante a reunião regional do CDES. O documento, elaborado por 14 ministros e 84 conselheiros da sociedade civil, já foi apresentado ao presidente Lula, no mês passado e, depois de passar por Curitiba, deve ser mostrado em outros locais do País.

Padilha, que hoje deve visitar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Curitiba, junto com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, não deu maiores detalhes sobre a medida provisória da Copa. Em relação à nova Agenda, o ministro lembrou que as metas do documento anterior – a “Agenda Nacional de Desenvolvimento”, elaborada em 2005 -, que envolviam, entre outros pontos, a redução da pobreza, o fortalecimento do mercado de trabalho e o aumento do mercado interno, acabaram ajudando o País a superar a crise econômica mundial, quatro anos depois.

“Agora estamos entrando na agenda pós-crise, que ajudará a sustentar um novo ciclo de desenvolvimento do País”, afirmou Padilha. Os principais objetivos, agora, passam por nove grandes eixos. Ele destacou a educação e a inovação tecnológica como os principais. “Não é possível o Brasil manter um crescimento sustentável com o analfabetismo ainda existente. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) já mostrou melhora, mas precisamos avançar muito mais”, cobrou.

No campo da inovação tecnológica, o ministro destacou que há recursos disponibilizados pelo governo federal que não vêm sendo usados pelas indústrias. Ele que o Paraná tem grande potencial para explorar novas tecnologias, nem só na indústria, que pode aproveitar os investimentos que estão pode vir no setor de petróleo e gás, mas também na agricultura e nos serviços.

Outros pontos que são abordados na nova Agenda são os desafios do Estado democrático e indutor do desenvolvimento, o trabalho decente e inclusão produtiva, o padrão de produção para o novo ciclo de desenvolvimento, o potencial da agricultura, o papel da infra-estrutura de transportes, energia, comunicação, água e saneamento, a sustentabilidade ambiental e a consolidação e ampliação das políticas sociais.

Estadual

Para o conselheiro do CDES e presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, o conselho é uma inovação institucional, que abriu espaço para diálogo entre diversos setores. “É uma oportunidade de tratarmos de termas relativos ao desenvolvimento brasileiro”, observou. Na reunião de ontem, Loures propôs, inclusive, a criação de um conselho semelhante no Paraná. A proposta deverá ser apresentada aos atuais candidatos ao governo do Estado.