Os auditores fiscais da Receita Federal voltaram ontem ao trabalho depois de 65 dias em greve. Apesar de encerrar o movimento, a categoria não descarta uma nova paralisação a partir de agosto. Isso poderá acontecer se o governo não abrir um canal de negociação com os trabalhadores, que alegam que não tiveram atendidas suas reivindicações. Entre as quais, a definição de um plano de carreira que reduza as diferenças salariais entre o início e o final de carreira, e paridade salarial entre ativos e inativos.

A afirmação é do presidente da delegacia sindical em Curitiba do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Norberto Antunes Sampaio. Segundo ele, os 34% de reajuste nas gratificações anunciados pelo governo está condicionado ao atingimento de metas na arrecadação. ?Se isso não acontecer, os salários e percentuais poderão até serem reduzidos?, avaliou. Além disso, acrescenta, ?o governo condiciona o reajuste ao aumento de arrecadação em R$ 4 bilhões, mas o custo desses 34% para os auditores fiscais é de R$ 1,2 bilhão. Essa gordura será queimada com outras categorias de trabalhadores?.

Outro ponto que os auditores também querem discutir com o governo é o que chamam de ?fosso salarial?, que na verdade consiste em uma diferença nos vencimentos entre os trabalhadores mais antigos e os que ingressaram após 2000 quando foi criada a carreira de auditor. Norberto Sampaio afirma que esses trabalhadores, na política atual, precisariam de 15 anos para atingir o mesmo patamar salarial. ?Essa diferença gera problemas entre a categoria, bem como desestimula que outros trabalhadores ingressem na carreira?, disse.

Sobre as conseqüências da greve, o sindicalista afirmou que em trinta dias todos os trabalhos que deixaram de ser realizados serão regularizados. Ele descartou a possibilidade de plantão para colocar em dia as atividades e ressaltou que os reflexos maiores da greve foram sentidos no desembaraço de mercadorias.