Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
Em Curitiba, a paralização atinge
principalmente as agências do Banco do
Brasil e da Caixa Econômica Federal.

A greve dos bancários entrou ontem no seu terceiro dia, com o aumento da adesão na maioria dos estados. Em Curitiba, o número de agências fechadas passou de 26, na quinta-feira, para cerca de 80, ontem, conforme informações do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana. Aproximadamente 3,6 mil bancários – 40% da categoria – estão de braços cruzados no Estado, a maioria deles funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

“A paralisação aumentou acentuadamente”, afirmou a presidente do sindicato da categoria, Marisa Stédile. Segundo ela, das 99 agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal em Curitiba, 80 não abriram as portas ontem. Além da capital, a paralisação atinge agências de Umuarama. Bancários do interior, como Cornélio Procópio, Londrina e Paranavaí, realizam assembléia na segunda-feira para decidirem se aderem ou não à paralisação.

A greve atinge não só funcionários do BB e da CEF, como também do Bradesco, Santander, Itaú e HSBC. De acordo com Marisa Stédile, o Bradesco entrou com ação de interdito proibitório contra o sindicato, sob pena de multa de R$ 50 mil por descumprimento da ordem. “A questão é que a paralisação chegou num ponto em que o sindicato não tem mais controle sobre a greve, sobre a volta dos funcionários”, afirmou. A assembléia realizada na quinta-feira na Praça Carlos Gomes reuniu cerca de mil bancários. Na segunda-feira, o sindicato realiza nova assembléia em Curitiba, para deliberar se a paralisação continua ou não.

Reivindicações

Os bancários reivindicam 6,22% de reposição das perdas inflacionárias. O restante para completar os 25% de reajuste significaria aumento real dos salários. Além disso, eles pedem Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de um salário, mais R$ 1.200 fixos, para todos os funcionários. Já a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) ofereceu em 8 de setembro aumento de 8,5% sobre os salários praticados em agosto e 80% de um salário como PLR.

Ontem, a greve dos bancários ganhou a adesão dos trabalhadores da Bahia, aumentando para 19 as capitais atingidas pela paralisação. O movimento começou na quarta-feira, com os trabalhadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Florianópolis.

A Confederação Nacional do Bancários (CNB), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), não divulgou quantos são os grevistas em todo o País. Mas informou que o movimento se espalhou também para o interior dos estados. Para a Febraban, a greve não tem a dimensão propalada pelos sindicatos e atinge principalmente os funcionários dos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal).

Como a greve é parcial, a Febraban recomenda que todas as contas com vencimento durante o período de greve devem ser pagas respeitando a sua data de vencimento.