Como previsto, a maioria dos bancos do Paraná começaram a semana de portas fechadas. Em seu sexto dia de paralisação, a greve dos bancários ganhou até mais força: com a adesão de mais grevistas – entre eles funcionários do Bradesco que trabalhavam graças a uma medida judicial obtida pelo banco, mas derrubada na última sexta-feira -, mais agências amanheceram a segunda-feira sem funcionar. Só em Curitiba, são 280 agências paralisadas, sendo 110 de bancos públicos e 170 de privados, com cerca de 15 mil bancários de braços cruzados.

No Paraná, são poucas as regiões em que a greve ainda não foi iniciada. Londrina e região, por exemplo, têm 60 agências fechadas, com quase 1,4 mil bancários em greve.

Na região de Maringá, são pelo menos 48 agências fechadas e mil trabalhadores parados. Em Cascavel, 35 bancos não abriram e cerca de 900 bancários estão em greve.

Como, até ontem, a Fenaban ainda não tinha apresentado proposta formal de acordo, a situação deve se manter hoje. No final do dia, vários sindicatos promoverão assembleias, mas a maioria terá apenas caráter informativo, a não ser que haja proposta durante o dia.

Por enquanto, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) vem apenas emitindo comunicados condenando ações dos bancários. Ontem, a entidade divulgou que “lamenta profundamente” a adoção dos piquetes pelos grevistas, afirmando que as práticas “ferem o direito dos cidadãos de acessar os serviços bancários essenciais, como saques e depósitos”. Entre outros fatos, a nota, divulgada nacionalmente, destacou a contratação de piqueteiros em Curitiba, por cerca de R$ 50 por dia.

A nota da Fenaban foi redigida para contestar uma denúncia do movimento grevista, divulgada também ontem, que dava conta de que os bancos estão obrigando funcionários a entrar de madrugada nas agências, para evitar piquetes.

Segundo a Federação, como em muitos prédios dos bancos existe trabalho em turno, é “normal haver gente entrando e saindo a qualquer hora”. Por outro lado, os bancários vêm contestando afirmações da Fenaban, como a que diz que a instituição respeita o direito constitucional de greve.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Otávio Dias, diz que a utilização de interditos proibitórios demonstra que a postura dos bancos é diferente da alardeada.

Orientação sobre cartões

Magaléa Mazziotti

Os bancos são unânimes ao afirmarem que em 99,9% das situações conseguem resolver as necessidades de seus clientes em dias de greve. Porém, dentro do 0,01%, está uma situação corriqueira, a obtenção de um novo cartão de débito seja por expirar a validade, seja por eventuais extravios.

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) orienta que em casos como esse o cliente tente ir à agência, uma vez que parte delas não permanece ininterruptamente fechada.

Como essa opção é fora de propósito para boa parte dos clientes que não dispõem de tempo para ficar de prontidão a espera da eventual abertura da agência, a Fenaban indica, ainda, que as pessoas procurem entrar em contato com os Serviços de Atendimento ao Cliente (SACs) ou as ouvidorias dos bancos. No site www.febraban.org.br/ atendimento são disponibilizados os contatos (de SACs e ouvidoria) atualizados de cada banco.

Para três bancos consultados -HSBC, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – é usual encaminhar os cartões por correio, salvo em casos que o cliente solicita a retirada no banco.

O principal problema, segundo as instituições, ocorre quando o cli,ente reside em casa e não é encontrado no local após três tentativas do carteiro. Nesse caso, o cartão é encaminhado para a agência onde a conta foi aberta e só pode ser retirado no local, no caso de greve, apenas quando a agência for reaberta.