A elevação da taxa Selic para 13% ao ano revela a crença cega dos gestores da política monetária numa receita para conter a inflação que há muito tempo se mostra um remédio amargo para o Brasil, pois trava o crescimento econômico do país. A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures.

Para ele, é preciso, acima de tudo, mudar o modelo mental dominante para “deixar de adotar medidas equivocadas que comprometem o desenvolvimento brasileiro”. “É vital mudarmos a âncora monetária, baseada em juros estratosféricos e moeda sobrevalorizada, para evitar o ciclo vicioso caracterizado por freqüentes vôos de galinha da nossa economia”, afirma.

Em nota oficial distribuída ontem, a Força Sindical manifestou repúdio ao que considerou “aumento cavalar” da taxa Selic. “A medida é impopular porque de imediato vai dificultar a campanha salarial de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores que já estão negociando reposição das perdas e aumento real de salário com os patrões. Ao mesmo tempo dificulta o investimento das empresas na produção”, diz a entidade, para quem “se o governo quer combater a inflação, tem de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica”.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse desaprovar a elevação da taxa básica. “Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços. A alteração dessa postura, mais o aperto monetário, resultará em maiores danos ao próprio processo de crescimento econômico”, afirmou.

O presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti, também condenou a decisão do Copom de elevar em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros. “Desta vez foi um exagero. Só vai retardar o crescimento econômico e desestimular a produção. A nova elevação da taxa básica é extremamente negativa porque ela só olha a inflação do passado e vai afetar o desempenho do PIB”, diz.

Entenda a influência da Selic

A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC (Banco Central) para manter a inflação sob controle. Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e consome mais.

Este aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender esse maior consumo. Por outro lado, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento, a economia desacelera e evita-se que os preços subam (que ocorra inflação).

Com a redução da taxa básica de juros (Selic), o BC também diminui a atratividade das aplicações em títulos da dívida pública. Assim, começa a “sobrar” um pouco mais de dinheiro no mercado financeiro para viabilizar investimentos que tenham retorno maior que o pago pelo governo. Se a taxa sobe, ocorre o inverso.