Lavoura brasileira ainda
é dependente de importações.

São Paulo

(AE) – A farinha de trigo deve ter seu preço reajustado de 15% a 20% nos próximos dias, como forma de compensar o aumento de preço do trigo argentino e a desvalorização cambial. Na avaliação do Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo, o reajuste deve ser imediato e incidir sobre os preços que vigoravam na segunda quinzena de maio, antes, portanto, que a Argentina pedisse 12% a mais pelo trigo produzido naquele país.

No último dia 16, o preço da tonelada do trigo argentino passou de US$ 135 para US$ 148/US$150. Ontem, o Moinho Anaconda não encontrou oferta na Argentina por menos de US$ 150 a tonelada. “O reajuste da farinha é inevitável sob o risco de não conseguirmos mais repor os estoques”, justificou o gerente de suprimentos do Grupo Anaconda, Fernando Souza.

Com estoques alongados e tendo adquirido trigo argentino quando o dólar ainda estava na faixa dos R$ 2,40, o Anaconda deve reajustar o preço de sua farinha em 10%. O presidente do sindicato paulista, Ricardo Ferraz, diz que esse é o porcentual “mínimo” para o reajuste. “Quem tem estoques fechados a um câmbio mais vantajoso pode reajustar em 10%, mas é pouco”, diz Ferraz. Como cada moinho tem política própria de reajuste, o aumento não é uniforme, mas os preços da farinha têm sido reajustados semanalmente desde abril, quando o cereal argentino passou a ficar mais valorizado pela menor oferta de seus produtores e a incidência de taxas sobre as exportações agrícolas.

A indústria nacional compra da Argentina aproximadamente 600 mil toneladas de trigo por mês. Na última semana, não houve novos registros de exportação de trigo para o Brasil, segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação da Argentina . E nas duas semanas anteriores esses registros – documentos que atestam intenção de compra – não ultrapassaram 50 mil toneladas.

O aumento de preços é o principal motivo do desinteresse brasileiro pelo trigo argentino. O trigo americano começa a ficar mais competitivo, mesmo pagando Tarifa Externa Comum (TEC) de 11,5% para entrar no Brasil. Um pool de indústrias paulistas aguarda o primeiro carregamento – de 30 mil toneladas – para o final deste mês, a fim de testar a qualidade do trigo americano. A tonelada sairá por US$ 163,50, entregue no Porto de Santos. No mercado interno, indústria interessada no que resta do trigo da safra passada paga R$ 370/R$ 380 a tonelada no Rio Grande do Sul e R$ 380/R$ 400 no Paraná.

São Paulo é o Estado que importa mais trigo, com 31,4% do total, ou 780.442 toneladas até abril. Em segundo lugar, praticamente empataram Ceará, com 263.964 (10,5%), e Rio de Janeiro, com 257.450 (10,24%). Pernambuco vem em quarto lugar, com 186.675 toneladas, ou 7,42%, e o Rio Grande do Sul, em 5.º, com 158.942 (6,32%).