O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou ontem que um aumento dos juros de 0,5 ponto percentual não afetaria a rota de crescimento do País. Segundo Dirceu, o aumento da Selic é uma hipótese a ser avaliada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) e que já foi sinalizada na ata da última reunião.

“Não acredito que baixar 0,5 ponto ou subir 0,5 vai tirar o ímpeto de crescimento do país. Não vejo como isso possa trazer reversão do crescimento”, afirmou. O ministro disse também que as metas de inflação são “imexíveis” e que já estão estabelecidas até 2006. As atuais metas são de 5,5% neste ano e 4,5% em 2005 e 2006.

Em discurso na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Dirceu defendeu o aumento dos investimentos públicos do atual patamar de 1% para ao menos 3%. O ministro afirmou também ser necessário aumentar a taxa de investimentos para 24% a 25% do PIB (Produto Interno Bruto).

Segundo Dirceu, o grande esforço do governo é que “o País enxergue para além da política monetária e fiscal uma política de desenvolvimento industrial”.

Pacto social

Dirceu negou divergências com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre o pacto social proposto pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela CUT (Central Única dos Trabalhadores).

“Não é fato que exista algum tipo de problema com o ministro Palocci, nós não discutimos isso”, disse.

O ministro da Fazenda teria se manifestado de forma contrária à proposta por causa da influência sobre a política econômica implementada por ele e pelo temor de um aumento de preços às vésperas da entrada em vigor do pacto.

Segundo Dirceu, a proposta foi levantada pela CUT e se for adiante, o governo analisará a idéia. De acordo com a proposta, o setor produtivo seria submetido a um controle de preços durante três anos.

Nesse período, o empresariado ainda deveria realizar novos investimentos. Ao mesmo tempo, o governo reduziria a carga tributária, os bancos diminuiriam os juros para empréstimos e os trabalhadores fariam menos pressão por reajustes salariais acima da inflação.