Foto: Fábio Alexandre

Domingos Martins, da Avipar: queda na exportação recuperada.

No ritmo em que produção e exportação começaram o ano, o setor avícola espera crescimento de 12% para 2007. Somente no último mês de janeiro foram mais de U$ 3,5 mil em produtos avícolas industrializados vendidos. Isso representou um aumento de 17,35% com relação ao faturamento das exportações de janeiro de 2006. Em volume, as exportações também aumentaram – 3,19% em janeiro. Também no mês, o Estado abateu quase 93,3 milhões de cabeças, quase 10,3% a mais do que em dezembro de 2006. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, estima-se que, atualmente, o Estado tenha alojadas em torno de 94 milhões de aves.

Os números iniciais, assim como a expectativa para o fechamento deste ano e o balanço do setor em 2006, foram divulgados ontem, por Martins, durante o II Fórum Internacional de Avicultura, em Curitiba. Em um breve raio-x do setor, no ano anterior, ele diz que se recuperou a tempo de fechar quase com os mesmos números de 2005, ano não ameaçado pela gripe aviária. ?A queda nas exportações fizeram com que os preços caíssem, assim como a produção, de fevereiro a junho. Porém, em agosto, o setor voltou a se recuperar e hoje trabalhamos com a expectativa de crescimento para 2007?, expõe.

Quanto ao acumulado de 2006, em relação a 2005, os produtos industrializados registraram um aumento de 197,15% em receita, nas vendas. Isso significa mais de U$ 44,4 milhões. O volume das exportações também aumentou, segundo o presidente do Sindiavipar. Houve um crescimento de 159,34%, referente à comercialização de mais de 19,5 milhões de quilos de frango. Em 2005, este total não chegou a 7,54 milhões de quilos. Porém, considerando o acumulado em faturamento (em dólares) total do setor, em 2006, houve queda de 9,06% em relação ao total de 2005: de cerca de U$ 953,7 milhões, em 2005, baixou para U$ 867,3, em 2006. Esta diferença, em volume (kg), foi um pouco menor, mas também negativa, -5%.

Para 2007, o sindicato espera alcançar um total de 820 mil toneladas de frango de corte exportadas, ?superando o ano de 2005, quando o Estado comercializou 790 mil toneladas de frango de corte com o exterior?. Para este ano, a aposta do setor é nos produtos industrializados. ?Industrializados é a tendência do mercado, interno e externo. Esse tipo de produto tem valor agregado maior. Por isso esperamos esse crescimento, entre 10% e 15%?, explica Martins.

Sobre os investimentos previstos para o setor, o presidente do Sindiavipar afirma que serão aplicados em estrutura básica e de conservação, principalmente quanto às câmaras de estocagem. ?Ainda falta no Paraná mais estrutura de estocagem. Hoje trabalhamos com a capacidade no limite?, completa Martins. Da produção do Estado, 63% é dirigida ao mercado interno e 27% à exportação. Do Brasil, o Estado é um dos principais exportadores do produto. Entre os dez principais mercados consumidores do frango paranaense estão Arábia Saudita (16,3% de participação no faturamento das exportações); Japão (14,6%); Hong Kong (10,56%); Holanda (9,97%); Kuwait (6,78%); Emirados Árabes (6,45%); Alemanha (6,06%); Venezuela (3,73%); África do Sul (2,82%); e Egito (2,73%).

Feira tem produtos e debates

A Ave Expo 2007 – II Fórum Internacional de Avicultura – que começou ontem no Estação Embratel Convention Center, oferece uma gama variada de artigos, novidades e informações aos participantes. A All Tech – multinacional líder em biotecnologia para alimentação animal, por exemplo, está trazendo o conferencista Peter Surai, do Reino Unido, para falar sobre um de seus mais importantes objetos de pesquisa, a produção dos chamados ?super-ovos?, naturalmente enriquecidos com nutrientes essenciais como selênio orgânico e vitamina E.

A Shering-Ploungh está apresentando a vacina – Coccivac-D – contra a coccidiose, uma das doenças de maior impacto econômico na produção de aves. Segundo a Embrapa, estima-se que em todo o mundo perde-se mais de US$ 1,5 bilhão por causa da doença, cuja única alternativa é a vacinação ?Nessa atividade altamente competitiva, só se consegue obter uma lucratividade satisfatória se as empresas extraírem o máximo potencial das aves. Qualquer falha nesse processo provoca perda de rentabilidade?, diz Eduardo Leffer, gerente de mercado da empresa.

Entre os produtos para o setor, destacam-se, entre outros, a classificadora de ovos da Uniquímica, que tem capacidade para separar até 3.000 ovos por hora em sete diferentes classes. Na mesma linha – a de produtos inovadores para o setor – está o sistema de pesagem automativo de aves no aviário, da Toledo do Brasil. Todo o sistema foi desenvolvido de maneira a possbilitar a pesagem dos animais desde o primeiro dia até o abate, sem interferência humana nas pesagens.