A gerente de contas trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis, destacou hoje que a queda de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre de 2009, ante igual período de 2008, representou o maior recuo semestral da série da pesquisa, iniciada em 1996. O dado foi divulgado hoje pelo IBGE, que também informou um crescimento do PIB de 1,9% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro, o que tecnicamente confirma que o País não está mais em recessão.

Segundo Rebeca, o mau desempenho nos seis primeiros meses de 2009 foi puxado especialmente pela indústria, com queda de 8,6% no período acumulado – também um recuo recorde da série histórica. A agropecuária, com variação negativa de 3% no primeiro semestre de 2009, contribuiu para puxar para baixo o resultado do PIB. Por outro lado, ela observou que o consumo das famílias (2,3%) e do governo (2,5%) mantiveram resultados positivos, apesar da desaceleração no ritmo de alta em relação aos números registrados no primeiro semestre de 2008.

PIB da agropecuária

O IBGE esclareceu ainda que a queda de 4,2% no PIB da agropecuária, no segundo trimestre de 2009 ante igual período de 2008, é o maior recuo trimestral para esse setor desde o quarto trimestre de 1998 (quando a queda foi de 6,3%).

De acordo com Rebeca, o resultado negativo da agropecuária no período reflete a queda na safra de produtos importantes, como a soja, sobretudo por problemas climáticos, além de uma base de comparação elevada do ano passado. Entre as atividades que compõem o cálculo do PIB agropecuário, os destaques de queda no período entre abril e junho de 2009 ante iguais meses de 2008 ficaram com a soja (-5,2%, sendo que este é o produto de maior peso no PIB do setor), o milho (-14,2%) e o café (-13,5%).

Por outro lado, a principal contribuição positiva para o PIB do setor ficou com o arroz, com alta de 4,2%, por causa do aumento da safra do produto.

 

PIB da indústria

A indústria mostrou reação no PIB do segundo trimestre em relação aos resultados do primeiro trimestre, apesar de seguir em queda em relação a igual período do ano passado, observou Rebeca. Segundo os dados divulgados pelo instituto, o PIB da indústria aumentou 2,1% no segundo trimestre ante o trimestre imediatamente anterior e registrou queda de 7,9% ante o segundo trimestre do ano passado. Isso reduziu o ritmo de recuo em relação ao apurado no primeiro trimestre de 2009 ante igual período de 2008, quando a variação foi negativa em 9,3%.

Segundo explicou Rebeca, a queda no PIB da indústria no segundo trimestre deste ano foi puxada especialmente pela indústria de transformação, cuja baixa foi de 10,0% no período, com destaque para os desempenhos negativos na produção de máquinas e equipamentos, metalurgia, peças e acessórios para veículos, mobiliário, vestuário e calçados. Houve queda também na indústria extrativa mineral (-0,8%) no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano passado). Ela foi puxada pela extração de minério de ferro (-27,4%), enquanto a extração de petróleo e gás registrou crescimento de 5,9%.

 

Investimentos

A queda de 17% nos investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, é a pior da série histórica, iniciada em 1996, informou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE. O declínio foi provocado, principalmente, pela redução da produção interna de máquinas e equipamentos.

Além disso, a importação de máquinas e equipamentos diminuiu e a construção civil caiu. “Em todos os componentes de investimento, não tem nada com desempenho positivo”, disse Rebeca. A FBCF é formada por cerca de 50% de máquinas e equipamentos, por em torno de 40% de construção civil e por outros componentes de menor peso.

Exportações

No caso das exportações, houve um crescimento de 14,1% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. O índice, porém, caiu 11,4% na comparação com o segundo trimestre do ano passado. No primeiro semestre, as exportações ficaram 13,1% menores que no mesmo período do ano passado e, nos 12 meses encerrados em junho, a queda foi de 7,6%.

Segundo o IBGE, as importações aumentaram 1,5% na comparação do segundo trimestre em relação ao período de janeiro a março, mas tiveram queda de 16,5% em relação ao segundo trimestre do ano passado. No primeiro semestre, caíram 16,3% e, nos 12 meses encerrados em junho, a redução foi de 0,8%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a balança comercial. No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram só bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.