Brasília – O balanço de pagamentos registrou, segundo apurou o Banco Central, superávit de US$ 4,978 bilhões de dólares no mês passado, como resultado do saldo de US$ 2,4 bilhões na balança comercial e do desembolso líquido de US$ 4,3 bilhões de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). As transações correntes também apresentaram saldo de US$ 479 milhões. Portanto, entrou no país um total de US$ US$ 7,179 bilhões.

Em contrapartida, as remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$ 1,5 bilhão e os gastos líquidos com serviços externos, aluguel de equipamentos e pagamentos de royalties e licenças chegaram a US$ 572 milhões, com aumento de 25,1% em relação aos gastos de junho do ano passado. É o que mostra relatório mensal divulgado ontem pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Investimentos

Os investimentos estrangeiros diretos no país tiveram uma queda de 63,6% no primeiro semestre do governo Lula na comparação com o mesmo período do ano anterior. Eles estão positivos em US$ 3,5 bilhões, contra US$ 9,617 bilhões em igual período de 2002.

A estimativa é que o saldo fique positivo em US$ 10 bilhões no ano. Em 2002, entraram no Brasil por meio de investimentos diretos US$ 16,5 bilhões. Em junho, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 186 milhões, contra US$ 541 milhões em maio e US$ 1,530 bilhão no mesmo mês de 2002.

Em julho, porém, o total de investimentos diretos no Brasil deve subir para US$ 800 milhões. No mês, até hoje, esses investimentos no país já somam US$ 600 milhões.

O saldo dos investimentos no país em junho, segundo Altamir, foi influenciado por diversos fatores, entre eles uma remessa de aproximadamente US$ 650 milhões feitas pelo Bradesco em razão da compra do BBV. O resultado de julho será impulsionado pela entrada de recursos via captações feitas por bancos e empresas.

O resultado dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil em junho foi o pior desde abril de 1995.

Reservas aumentaram

O documento também registra que as reservas internacionais aumentaram US$ 4,6 bilhões no mês de junho, em relação ao mês anterior, e soma, agora, US$ 47,956 bilhões. Saldo que, de acordo com Altamir Lopes, é resultado do desembolso de US$ 9,3 bilhões e do lançamento de US$ 1,3 bilhão em bônus da República, deduzidas as amortizações de US$ 5 bilhões junto ao FMI e de US$ 585 milhões com o Clube de Paris, além das demais operações da Autoridade Monetária, que geraram despesa líquida de US$ 426 milhões.

Altamir Lopes também revelou que houve ligeira redução de US$ 322 milhões da dívida externa brasileira no mês de abril, comparado a março. Caiu de US$ 215,294 bilhões para US$ 214,972 bilhões. Do total, US$ 192 bilhões correspondem a endividamento de médio e longo prazos, e US$ 23 bilhões vencem a curto prazo. O setor público não-financeiro responde por 53,3% da dívida, ao passo que o setor financeiro, público e privado, se responsabiliza pelos demais 46,7%.

Vale ressaltar, segundo o economista do BC, que houve um certo alongamento dos vencimentos da dívida, com aumento de US$ 301 milhões nos compromissos de médio e longo prazos e redução de US$ 623 milhões no montante com vencimento próximo. Altamir Lopes explicou que contribuíram para isso a entrada de US$ 500 milhões do Banco Mundial (Bird) no Programa de Assistência Financeira (PAF) e a diminuição das obrigações imediatas dos bancos comerciais.