Mais de 20 empresas paranaenses de pequeno e médio portes, de 13 municípios, participaram da missão empresarial no Chile, organizada pelo governo do Paraná entre os últimos dias 26 e 28. De acordo com o secretário da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Luis Mussi, os empresários e representantes do governo do Estado participaram de mais de 115 reuniões de negócios. “Alguns resultados foram imediatos, outros devem se concretizar nos próximos meses”, avaliou.

O relato da missão foi feito ontem, na reunião do governador Roberto Requião, seu secretariado e empresários. A secretária do Planejamento, Eleonora Fruet, destacou que a economia do Chile já cresceu 4,5% nos primeiros três meses deste ano. “O Produto Interno Bruto (PIB) de 2001 é de US$ 66 bilhões com previsão para US$ 90 bilhões em 2002, cujo impacto no comércio exterior é bastante expressivo para incrementar novos negócios.” Além disso, acrescentou, o Chile é o principal produtor mundial de cobre, destacando-se, ainda, na produção de frutas e de derivados da pesca. “São indicadores que demonstram o potencial econômico do Chile, que pode se transformar num grande parceiro comercial do Paraná”, avaliou.

Para o empresário Zulfiro Bózio, do Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar), a visita ao Chile foi a verdadeira missão que o governo tem que realizar, porque representa uma mudança na cultura exportadora. “Isso porque o governo reuniu numa só missão representantes de um tripé fundamental para deslanchar as exportações, que é a cultura, o comércio e o turismo, como o Cexpar sempre reivindicou”, afirmou.

Para o governador Roberto Requião o sucesso da missão ao Chile, assim como o da realizada na Argentina, deve-se ao fato de o governo estar viabilizando encontros e criando espaços para as pequenas e médias empresas se relacionarem como as empresas de mesmo porte nos países vizinhos. “Esta é a função do Estado, a de eliminar desigualdades entre pobres e ricos. Isso porque as empresas multinacionais dispensam o apoio do Estado para estabelecer suas relações comerciais”, salientou.

Surpresa

Segundo o empresário Carlos Gilberto Machado, que representou cerca de 2 mil empresas do setor metalmecânico, a viagem ao Chile revelou uma surpresa. “Ao descermos do avião na capital, Santiago, identificamos a cidade como um imenso canteiro de obras, com grandes oportunidades de comércio.”

Ainda de acordo com o empresário, a pauta de produção do Chile é expressiva economicamente, mas pouco diversificada. “A economia daquele país está concentrada na produção e exportação de poucos produtos como cobre, frutas e pesca. O restante, eles têm que importar, até uma simples maçaneta de porta.”

Machado adiantou que a Igasa, uma indústria de peças do Paraná, fechou negócios para instalação de um distribuidor de seus produtos no Chile. Outras empresas do setor também já estão fazendo contatos para escolher seus representantes para vender peças aos chilenos. Machado destacou que existe muita demanda por peças de ferro e madeira, produtos que as empresas paranaenses têm condições de ofertar a preços competitivos.

A empresária de moda Conceição Borges, que representou a empresa Dacao Comércio Exterior, identificou oportunidades de exportação de confecções para butiques. Como resultado dessa visita, a empresária informou que em julho haverá um desfile da moda das indústrias de confecções do Paraná no Chile. “Missões como a realizada no Chile são importantes para dar visibilidade e mais identidade à moda paranaense”, salientou.

Assessoria

O advogado Antônio Athayde, do escritório Athayde & Athayde Advocacia, participou da missão a convite do governo do Estado com o objetivo de assessorar juridicamente os empresários nas negociações comerciais. Destacou que a participação de advogados numa missão empresarial representa uma inovação importante porque o suporte jurídico é essencial em função dos países terem legislações distintas.

Athayde constatou que o sistema jurídico do Chile é mais ágil que o brasileiro. “Uma ação comercial ou civil que em nosso País leva até 30 anos para ter uma definição jurídica, lá dura no máximo cinco anos”, comparou.