O dólar começou fevereiro ameaçando ficar abaixo do patamar de R$ 2,60 pela primeira vez desde o dia 4 de junho de 2002. Durante a tarde, a moeda americana chegou a cair para mínima de R$ 2,603 (baixa de 0,26%), mas acabou fechando estável, a R$ 2,61. Segundo operadores, o Banco do Brasil fez compras de divisas para o governo no período da tarde, o que evitou que a moeda ficasse abaixo da barreira psicológica de R$ 2,60. Essa estratégia de "intervenção branca" por meio do banco estatal foi adotada porque o Banco Central já havia promovido leilão no final da manhã.

Nada impedia que o BC realizasse um segundo leilão no mesmo dia. Há precedentes: em janeiro do ano passado, houve dia em que foram realizados três leilões na mesma sessão. Mas hoje a intenção do BC é evitar formalizar para o mercado uma preocupação da autoridade monetária com a forte valorização do real.

Além da tendência internacional da moeda americana, outra força que puxa o dólar para baixo é a contínua perspectiva de entrada de recursos no País. Ontem foi divulgado que, em janeiro, o superávit comercial brasileiro somou US$ 2,183 bilhões. O resultado ficou acima das expectativas. Os bancos esperavam um saldo positivo de US$ 1,7 bilhão.

Os bancos também estão trazendo recursos do exterior. Ontem o Bradesco fechou uma captação de US$ 100 milhões com o lançamento de um bônus de três anos. Esse valor foi o dobro previsto na oferta inicial.

A tomada de empréstimos no exterior por empresas, bancos e governo ajuda a deixar positivo o fluxo de recursos no mercado de câmbio, favorecendo a queda do dólar.